Staner Equaleasy 15 bandas 2/3 de oitava rack - uma peça de respeito!

Faz tempo que nada vem pra cá. É que tem alguma coisa se movendo no universo, projetos paralelos... Mas nesse meio tempo, tive o prazer de pegar nas mãos e testar essa relíquia da Staner. É um equalizador de 15 bandas 'padrão rack' com acabamento muito bem feito, sem frescuras, e arquitetura impecável. Não preciso dizer muita coisa, é um Staner das antigas. Se baseia no NE5532 - o cara - e possui potenciômetros originais. Nunca foi mexido, nenhuma manutenção, nenhuma solda refeita, nada. Que coisa, não?

A qualidade de som que ele é capaz de entregar, só ouvindo de perto pra entender do que estou falando. Obviamente que o gabinete está riscado, claro: foi utilizado em rack, retirado algumas vezes, recolocado... Mas será que um Behringer moderninho aguenta tantos anos sem NENHUM defeito como esse carinha aí?! Embora eu seja muito fã da marca, tenho cá minhas dúvidas. E quando eu falo aqui no site sobre coisas que eram feitas para durar, é sobre isso que eu me refiro.

No mais, algumas fotos dele pra perpetuar esse momento. Ah, depois de limpar tudo e revisar - claro que nada tinha a fazer - vendi. Sim, vendi.







 


Rádio de mesa Philips 1973 - perpetuando memórias!

Philips 1973. Esse tem história. Pega café e senta.

Devanir, dona Deva ou Devinha, minha sogra (amadíssima, sim senhor) me pediu pra dar uma olhadinha nessa relíquia há alguns meses, e claro que não iria me fazer de rogado: pensa numa satisfação pessoal ter um aparelho desses na bancada! O problema era simples: não ligava. Nenhum ruído, estalo, estática; nada. Veio de viagem de Bagé, trazido pela Renata, minha esposa, quando foi passar uns dias por lá em uma das raras folgas que tira no trabalho. Quando vi esse aparelho, fiquei me coçando pra começar logo a mexer nele.

Esse modelo só funciona a pilhas, não possui entrada para energia elétrica. Montei uma fonte rapidamente para os 6V requeridos e comecei a procurar o problema. Sou desses que prefere um trágico 'não liga' a ter que procurar defeito cabuloso do tipo 'não pega FM, só AM'. Ou coisas do tipo. Levando em conta que esses aparelhos foram produzidos por gente muito inteligente, técnicos muito competentes e engenharia raiz, não deveria ser nada muito grave. Meu receio era ter que substituir algum transistor... invólucro metálico, ainda. E a maioria deles, sem meios de identificação - marcação impressa já deteriorada. Imagina. Diodos de germânio, capacitores de alta precisão... No final das contas, o 'grande' defeito se resumiu ao desgaste natural de um dos terminais de um dos transistores da potência. Havia sinais de umidade interna, mas previsível, já que esses rádios eram utilizados, geralmente, na cozinha, onde as donas de casa ouviam os programas enquanto cozinhavam. Terminal restaurado e aparelho recuperado. Simples assim. E pensar que hoje em dia, um 'não liga' geralmente implica em troca de 'placa de sinal' ou coisa do tipo, já que dificilmente se dá manutenção nos equipamentos modernos. Essas infotrônicas da vida. E viva o consumismo.

Uma restauradinha de leve no dial, que estava 'embaçado' pelo tempo e carcaça lavada deixaram o carinha aí muito elegante e de cabeça erguida de novo. Também adaptei uma entrada AC pra que não fosse necessário utilizar pilhas. Deva ficou faceiríssima! Ela ouve com frequência - trocadilho imperdoável - programas de rádio e poder contar com esse Philips que era de sua mãe, foi mais que um presentão. Ela confessou que pensou em me pedir para adaptá-lo para uso em energia elétrica, mas achou abuso demais! Imagina, né. Aqui é serviço completo com direito a (boas) surpresas! Fiquei extremamente feliz em poder dar sobrevida a esse aparelho e, de certa forma, perpetuar as memórias que ele representa.

Algumas fotos do Philips. Não encontrei o modelo dele, mas em pesquisas, vi que data de 1973 ou muito próximo a essa data. Se você sabe qual é o modelo ou possui alguma informação adicional, queira deixar nos comentários para que eu atualize a postagem.






Session. Again.

Dessa vez é coisa rápida. Simples. Tenho um servidor de câmeras 24/365 que fica no mesmo local onde projeto as coisas e que compartilho espaço com um home office. Quando tinha um servidor melhor, a fonte era uma Corsair dedicada e super silenciosa. Parou e eu não achei justificável comprar outra fonte desse nível para um servidor caseiro. E como utilizo ele sob regime de nobreak, muito raramente dá problema numa fonte dessas - low cost - trabalhando dessa forma. E quando dá problema, é fim de vida útil mesmo, já que fica ligada durante horas e por meses. O problema dessas low cost é - entre outras coisas - o barulho infernal gerado pelo cooler. Daí, como aqui tem DIY, fui lá pegar uma daquelas plaquinhas muquiranas de controle de corrente/tensão e fiz a adaptação. Digo corrente/tensão porque a arquitetura delas varia, e existem muitas delas por aí. Essa mesma, foi tirada de uma fonte low cost que prometia 600W. Coisa muito simplória, mas que funciona muito bem: tensão varia pelo termistor que é comparada a um zener e o resultado você pode deduzir.

Troquei também o cooler vagabundo que tinha nela por um Delta (dispensa apresentações) e montei tudo, deixando o termistor em contato com o dissipador. Problem solved!

Silêncio reinando no ambiente.


Reparo condicionador de ar portátil Philco PH11000QF

Session.

Este é um daqueles casos em que a engenharia se prostitui: aparelho portátil que promete 10.000 BTU com toda praticidade de não depender de instaladores e furos nas paredes. E que também não funciona bem.

Para começar a explicar, esse engodo vendido pela Philco (que é uma das marcas na minha lista negra de fabricantes low cost) além de não condicionar a temperatura do ambiente de forma satisfatória, também não consegue trabalhar em silêncio. Um barulho infernal sem parar. Mesmo na função ventilação, é altamente ruidoso. Um projeto fadado ao fracasso desde o início. A troca de ar é totalmente ineficaz - para não dizer burra - já que o ar quente que sai pelo tubo é roubado do ambiente interno, ou seja, parte do esforço do aparelho é cuspido janela afora, tornando mais burro ineficiente ainda seu funcionamento. O correto - e que muita gente acabou fazendo nesses casos, vide Google - seria ter dois tubos para fora do ambiente, para que a troca não interferisse no ambiente interno. Tecidos meus argumentos para com a engenharia da Philco, vamos ao defeito.

Uma bela noite de verão, utilizando essa coisa apenas como ventilador, ela simplesmente se desligou. Não era falta de energia elétrica, nem havia desligado via timer. Parou mesmo. Para minha sorte, tinha um ventilador de mesa para salvar a noite. 

Pela manhã, abri a geringonça para ver e... Viper 22A. Sim, aquele ingrato presente em quase todas as fontes chaveadas xing-ling. Esse carinha até cumpre seu papel, mas quem projeta as fontes coloca toda sua confiança sobre ele, sem qualquer respeito com o bom senso. Daí, um belo dia, esse carinha se revolta e abre o bico. De cara, já pensei que fosse ele. Nem me preocupei, deixei de lado para comprar o ingrato e trocar no dia seguinte. No dia seguinte, lá fui eu verificar a fonte. Claro, antes de trocar o Viper, fui verificar mais alguns detalhes. Macaco velho. É uma fonte muito simples, sem muito o que se dizer: relés para acionar os motores e seus estágios de velocidades, relé parrudo pro compressor, fusível padrão na linha... Fui medir um 7805 que é o cabeça de todo o start do aparelho e lá estava um curto. Mas olha, é difícil esse regulador entrar em curto... Até hoje, nesses muitos anos de bancada, não me lembro de pegar algum assim. Geralmente ele estoura, ou queima e fica aberto. Mas em curto, ainda não vi. Fui medindo para trás dele, diodos. Um schottky de 2A que gerava a tensão principal de tudo estava totalmente em curto, impedindo o Viper de partir. Muito eficaz, menino. A maioria dos reparadores porcos colocaria qualquer diodo no lugar, o aparelho ligaria e voltaria para a casa do cliente com o diagnóstico mais mirabolante do mundo que custaria nada menos que R$ 200. Claro que eu não tinha o mesmo diodo para trocar, mas tinha um schottky parrudão de 5A de características muito próximas numa sucata. Soldei por baixo da placa mesmo, para testar, porque a furação do diodo original era bem menor. Solda, põe na tomada e BIP! O ingrato retorna.

Deixei ele ligado 'gelando' (hahaha) e testei as tensões. Tudo normal. O erro da Philco - e de muitos fabricantes - é colocar um diodo de 2A para sustentar um sistema que vai consumir 2A. Não que, necessariamente, seja este o caso, até porque não cheguei a me dar ao trabalho de medir a corrente total desse sistema em full power. Mas para um schottky entrar em curto desse jeito, só pode ser cagada. Por que os aparelhos mais antigos que utilizam os mesmos diodos seguem funcionais após 10, 20 anos de uso? Projeto bem feito.

Assim como para a área da saúde a cura não é bom para os negócios, também não pode ser para a indústria eletroeletrônica. Imagina que louco você comprar hoje um notebook, um aparelho de TV ou som que vai funcionar sem qualquer problema por pelo menos 10 anos! Não, isso não vai acontecer.

Ah, e não comprem esses condicionadores de ar portáteis. Nem as coisas da Philco.