Dual JFET phono preamp - pré-amplificador para toca discos com ajustes de resistência e capacitância

Depois que reforcei minha vida analógica com a Minimalista Turntable, me obriguei a produzir um pré-amplificador com um toque artesanal também. Tomando como base o esquema elétrico do Minimalista Receiver, onde um TL082 faz todo o trabalho sozinho, decidi moldar meu phono preamp partindo daquele princípio - que me atende muito bem até hoje! - tanto por ter certa afinidade com esse CI quanto por ter gostado bastante da resposta daquele preamp.

O TL082 é um CI clássico, possui J-FET duplo casado na entrada e foi largamente utilizado em diversas frentes, desde pré-amplificadores até equalizadores e efeitos. Suas características permitem que essas aplicações em áudio entreguem qualidade com uma configuração relativamente simples. Existem outros OPAMPs que poderiam ser empregados para essa finalidade, claro, inclusive com respostas melhores, mas eu gosto desse CI e tenho alguns guardados há anos. Por que não usar?! A ideia inicial é ouvir meus discos, ponto. E esse preamp foi desenvolvido a ouvido, vamos dizer assim.

Ajustes avançados de resistência e capacitância


Um exagero, um absurdo, pode julgar. No esquema original e também na sugestão de PCB, existem dois switchs que permitem ajustar a resistência e a capacitância da cápsula, ou seja, seria um plus para atender vários tipos de turntables. Claro que, se você for montar pino a pino ou num layout diferente daquele que sugeri, poderá omitir essa parte e criar um ajuste fixo de acordo com a sua necessidade.

Uma outra possibilidade de melhoria pro futuro é adicionar um controle avançado de ganho - e já está mapeado para testes em breve - para casar com os ajustes de resistência e capacitância, atendendo de forma ainda mais completa para uma audição clara e de qualidade em cápsulas MC, que geralmente possuem a necessidade de ajuste de ganho ao alcance das mãos - associando ou não a um microtransformador de entrada, ainda não decidi a topologia, e isso pode demorar para ser testado até que eu consiga uma turntable MC pra essa session.

Características gerais


E esse preamp foi desenvolvido a ouvido, vamos dizer assim. E foi com base nisso que ajustei a curva de equalização dele, assim como o ganho. Importante que você saiba que todos esses testes foram feitos com base na Minimalista Turntable em conjunto com o Sony FH-G33AV e também o Minimalista Amplifier. Eu não usei outros artifícios pra chegar nessa configuração que não fosse dessa forma, ouvindo.

A fonte de alimentação segue os padrões exagerados de qualidade diyPowered para alcançar a melhor entrega de energia e de regulação de tensão pra esse projeto, fornecendo +15V/-15V/0V com uma corrente máxima disponível de 350 mA - mais do que suficiente pra sustentar o par de TL082 e dois LEDs.

Possibilidades de melhorias mapeadas


  • Controle de ganho
  • Ajuste de balanço com VU meter de equilíbrio
  • Par de VU meter analógicos
  • Controle de volume MASTER
  • Seleção de tipo de cápsula MM/MC (para complementar os ajustes de resistência e capacitância)
  • Saídas balanceadas XLR

A versão inicial 1.0 do projeto se encontra disponível para download abaixo, com o esquema elétrico e sugestão de layout para placa de circuito impresso. A referência do case impresso em 3D e os arquivos de download estão disponíveis  no site Thingiverse - lembrando que eu redimensionei esse case para atender ao projeto, ficando maior do que o original.

Em tempo: a montagem do projeto no case está em andamento e as fotos serão postadas no site assim que tudo estiver pronto! 

Clique para baixar o PDF

Clique para baixar o PDF




Minimalista Turntable - um toca discos único baseado no conjunto Frahm HS4900

Há alguns anos, eu tinha um toca-discos Sony e alguns vinis incríveis. De mudança em mudança, fui perdendo vinis, vendendo cabos, pré-amplificadores... até que vendi minha Sony e nunca mais tive outro toca discos. Antes da Sony, também tive uma CCE e logo depois, uma Gradiente, ambas bastante simples e sem grandes recursos. Mas o vinil soava grandioso, quente, bem diferente dos CDs, k7s e aqueles malditos MP3 que inundaram o mundo em algum momento. Desde então, se passaram 20 anos - hoje é 30/07/2025, senhores. Eu tinha planos de comprar um toca discos até que me convenci a garimpar na OLX em busca de um aparelho antigo que tivesse condições de ser restaurado ou de, pelo menos, ter um toca discos para salvar.

Encontrei de tudo: desde gente sem noção cobrando R$ 700 em aparelhos de plástico sem alma e faltando peças importantes até anúncios bem realistas, na faixa dos R$ 100 aos R$ 300 - no meu caso, se tratava de um anúncio bem realista. Fiz alguns contatos e dentre todas as opções que encontrei, optei pelo Frahm HS4900 que estava num bom estado, ligando e com a pickup faltando somente agulha. Fui buscar pessoalmente em Novo Hamburgo, em 05/07/2025, e assim nasceu o projeto Minimalista Turntable.

Ideia inicial do projeto Minimalista Turntable


Eu queria aproveitar a pickup desse aparelho, porque rádio, auxiliar e tape deck eu tenho no Sony FH-G33AV, além do CD player. Bem no início, pensei em usar a própria madeira do gabinete para montar o móvel do toca discos, cheguei até mesmo a remover o revestimento preto pra reaproveitar, mas como a madeira estava bastante esfarelada, mudei de ideia, me inclinando para algo mais original e minimalista. Nascia a assim o conceito que deu origem a essa - digamos assim - releitura de um aparelho Frahm da década de 1990 que se transformou em uma peça única, com design contemporâneo e simplista. 

A pickup foi completamente desmontada, limpa, lubrificada e remontada com troca da fiação original, mantendo somente o cabo blindado da cápsula por estar em boas condições de uso e por ser preto, promovendo uma instalação mais discreta em vista do design ser aparente. Fiz um suporte metálico de quatro pontos que apoiam a pickup sobre as molas da suspensão e um design flutuante muito bonito foi criado, em contraste com os tons da madeira de base e da própria pickup. Adicionei também um LED verde retangular numa posição inusitada e discreta, próximo ao disco, indicando atividade do motor. Foram reaproveitados do aparelho original os pés de plástico e a pickup completa, o restante foi produzido ou refeito, como a fiação em preto do motor e os conectores de energia e áudio, que foram integrados ao conjunto.

A fonte de alimentação é externa ao toca discos por questões práticas, já que não temos um pré-amplificador interno, esse item não se fez tão relevante e optei por fazer dessa forma. Além do mais, ficaria complicado 'esconder' uma fonte de alimentação superdimensionada e regulada e um pré-amplificador decente numa estrutura naked como essa., isso sem falar em outros aspectos como a blindagem dos circuitos sensíveis. A cereja do bolo ficou por conta do emblema original Frahm ter sido reutilizado e fixado na madeira de base, como uma espécie de homenagem ao fabricante, que possui uma grande relevância nesse cenário - me recordo até hoje de vários aparelhos da marca que já tive a oportunidade de trabalhar e de ouvir! 

Fica aqui registrada uma singela homenagem ao Sr. Norberto Frahm, que, em 9 de junho de 1961, fundou oficialmente a Frahm, fabricante 100% brasileira com uma baita história de pioneirismo!















Doador - Frahm HS4900












Toca discos (turntable) Philco Hitachi AS-700 - reparo e instalação de fonte e pré-amplificador

De dar gosto de fazer esses aparelhos vintage, vou te contar. 

Essa peça carregada de valor emocional surgiu depois de uma conversa sobre o Minimalista Amplifier, quando eu contava pro João que eu estava há muito tempo procurando uma vitrola velha pra comprar e restaurar, pra poder ouvir meu único vinil sobrevivente de mudanças e empréstimos que nunca retornaram, com a melhor qualidade possível. Ele disse que tinha um toca disco da namorada e pediu pra eu ver se tinha conserto. Teve.

Esse toca discos é parte do aparelho AS-700 e não possui nada além de conexão interna: alimentação e saída de áudio 'crua' diretamente do captador. Esses cabos eram conectados no aparelho 'pai' para fazer o disco tocar. Sem o aparelho 'pai', não tem disco tocando. Minha ideia inicial era:

  • Desenvolver um pré-amplificador interno e uma fonte de alimentação
  • Trocar a correia (estava com muita folga)
  • Lubrificar e revisar todos os mecanismos
  • Revisar a agulha e o captador

O pré-amplificador foi desenvolvido com componentes simples, discretos, com valores escolhidos para obter um timbre natural, suave e equilibrado. A fonte foi definida como externa e removível, facilitando uma manutenção futura, caso necessário, bastando substituir por outra de mesmas características. Também rolou aquela limpeza fina depois da troca da correia, da lubrificação das peças e das revisões generalistas. O resultado foi um aparelho renovado, independente do aparelho 'pai', devidamente lubrificado e limpo, pronto para tocar mais música boa por muitos anos ainda.




Primeiros testes depois do reparo







No estado original

No estado original

No estado original

Limpeza forte!

Troca da correia

Diferença da correia nova para a original


Minimalista Amplifier - um puro classe A single ended inspirado no clássico JLH de 1969

Visualização 3D da placa
Depois da grandiosa experiência em montar o Pur'A - Amplificador de Potência Hi-End Classe A, o bichinho do classe A me pegou e decidi que já era hora de ter outro 'A' pra chamar de meu. Mas dessa vez queria fazer algo mais clássico, mais vintage e com um timbre ainda mais puro. Nas minhas pesquisas e leituras no TCAAS - The Class-A Amplifier Site, minha primeira opção era usar o circuito original de 1969 e experimentar alguns toques de ousadia nesse circuito que, até hoje, é uma pérola da simplicidade e da qualidade, demonstrando que nem todo classe A precisa ser complexo para soar como um dos grandes.

O circuito original de 1969 é simplista, tema de muitas discussões até hoje a respeito da sua topologia. A complexidade dele gira em torno da sua simplicidade, promovendo uma audição muito interessante com tão poucos componentes e ajustes necessários. Claro que um circuito assim tem seus segredos para uma montagem de sucesso, e isso você pode ver no site que citei anteriormente, que possui vários materiais muito interessantes para leitura - além de algumas melhorias no circuito original de 1969 que você pode se guiar caso tenha vontade de aprofundar no assunto. Não vou repetir algumas informações sobre o projeto original aqui porque todas essas informações podem ser obtidas facilmente no TCAAS - The Class-A Amplifier Site ou mesmo e outros locais na internet. Material e roda de conversa não faltam sobre o JLH 1969!

Montagem robusta e visual vintage


Fiz a montagem inicial seguindo o esquema elétrico original como guia. Como gostaria de algo inspirado no JLH 1969, minhas alterações começaram nos componentes, onde alterei alguns valores e tipos como forma de contornar os componentes obsoletos do projeto original. Algo que pode ser muito interessante é substituir os transistores de saída por Darlington para um desempenho acima do esperado - e um aquecimento possivelmente maior, também. O dissipador de calor precisa ser muito eficiente pra manter a temperatura de trabalho dentro dos limites dos componentes, senão você vai perder o amplificador na primeira vez que deixá-lo ligado por alguns minutos - sim, acredite, um classe A consome corrente e gera calor mesmo que nenhum sinal seja injetado na entrada. 

No fim, eu tinha um circuito com valores um pouco diferentes e transistores de outros tipos também, casando entre si num classe A single ended inspirado no JLH de 1969 soando de forma muito limpa e presente. Agudos sempre cristalinos, médios aveludados e na medida, graves naquela faixa esperada por um classe A de baixa potência. Fiz várias audições ainda com o circuito aberto e pendurado por fios, ajustando cada detalhe, testando novos valores e tentando encontrar o maior ganho possível dentro de uma qualidade acima da média. 

A fonte de alimentação é superdimensionada e foi concebida com todo cuidado. Possui regulagem fina da tensão de trabalho a partir do LM317, um por canal, muita filtragem e uma ponte de diodos que eu recomendo fixar num dissipador de calor pequeno para evitar um aquecimento desnecessário. A fonte inicial, de quando comecei o projeto, usava os 1N5408, de 3A, mas eles aqueciam bastante quando os dois canais eram ligados. Dentro da média? Sim, eles poderiam ser usados sem problemas, mas eu não gosto de componente aquecendo demais, mesmo que esteja dentro do esperado e resolvi usar uma ponte que permite transferir calor. Uma alternativa seria dobrar os diodos 1N5408, que aqueceriam bem menos, mas o custo não justificaria. Outra solução seria criar uma ponte de 1N5408 para cada circuito, dividindo a quantidade de capacitores entre eles e compartilhando o mesmo GND no final. São somente ideias, você pode montar da forma que achar melhor para o seu cenário.

O dissipador principal deve ser usado para todos os componentes críticos para que a temperatura total de trabalho possa ser 'vista' pelos reguladores LM317. Isso se torna uma estratégia para aproveitar o circuito de proteção térmica nativa dos reguladores como uma proteção do próprio amplificador, atuando diretamente na tensão de alimentação das potências. Tenha em mente que um dissipador mal dimensionado poderá impactar não somente num aquecimento excessivo, mas também influenciar na leitura da temperatura de trabalho dos LM317, acionando a sua proteção térmica e causando funcionamento irregular das potências.

Antes de qualquer coisa, tenha muito cuidado ao realizar qualquer tipo de reparo, modificação, ajuste ou intervenção em equipamentos elétricos ou eletrônicos. Primeiramente, pela sua segurança. Não me responsabilizo por quaisquer prejuízos que você possa causar ao equipamento, a você e/ou a terceiros. Faça por sua própria conta e risco.

Algumas considerações se você pretende montar este ou qualquer outro amplificador classe A:

  • Dissipador eficiente para trabalho seguro
  • Fonte de alimentação superdimensionada
  • Reguladores de tensão e transistores de potência devem ser isolados e bem apertados no dissipador de calor
  • Fiação robusta e GND bem feito evitarão problemas
  • Gabinete com bastante ventilação (tente montar o dissipador externamente)
  • Transformador pode ser convencional, mas atente ao posicionamento no gabinete para evitar ruídos - ou use um toroidal
  • Circuito PET (ponto de equilíbrio térmico) é opcional e os valores dos resistores (27k e 10k) devem ser recalculados de acordo com o dissipador escolhido
  • Circuito original possui um trimpot do GND até a base do transistor de entrada que eu substituí por resistores fixos depois de ajustar a tensão no positivo do capacitor de saída (esse ajuste deve ser feito ao ligar pela primeira vez e após 20 minutos, conferir se precisa de novo ajuste)

    Nota pessoal: você pode manter esse trimpot se quiser porque o ajuste pode ser conferido de tempos em tempos e será necessário em caso de manutenção (se precisar trocar algum transistor, por exemplo).

  • Placa deve ter trilhas largas e bem construídas, sem cruzamento de trilhas críticas e com isolamento/blindagem GND eficiente (instalar distante o suficiente do transformador)
  • Circuito antipop (relé de saída) é opcional, mas eu recomento aplicar no projeto de qualquer amplificador
  • A corrente máxima fica em torno de 800mA por canal com a configuração apresentada, mas se você alterar o resistor de 560R poderá ajustar a corrente de trabalho (BIAS)

Primeiro acionamento do amplificador


Antes de qualquer coisa, revise novamente as conexões. Depois que conferir tudo, acione o amplificador com os falantes conectados e uma lâmpada-série para evitar possíveis danos. Deu tudo certo? Remova a série e ligue diretamente à rede elétrica.

Primeiro passo: 'aterre' as entradas ou feche completamente o potenciômetro de volume dos dois canais, conecte as caixas de som e alimente o circuito. Feito isso, ajuste perfeitamente a tensão de saída dos LM317 para 22V.

Segundo passo: ajuste de BIAS é 11V entre GND e o positivo do capacitor de saída, a partir do trimpot entre GND e base do transistor de entrada. 

Aguarde pelo menos 10 minutos e meça novamente a tensão dos reguladores e BIAS. Se necessário, refaça o ajuste e aguarde estabilizar. Importante usar trimpots multivoltas para maior precisão no ajuste das tensões de 22V e 11V de BIAS. 

Minha opinião sobre o Minimalista Amplifier


Eu tive uma experiência muito boa com o circuito do Pur'A - Amplificador de Potência Hi-End Classe A, mas posso dizer com toda certeza que o Minimalista Amplifier inspirado no JLH 1969 soa mais claro, possui nuances que o Pur'A não alcançava mesmo em volumes mais elevados. Acredito que a qualidade desse circuito possa ser explorada ainda mais com transistores de diferentes características, em busca de mais ganho e clareza no espectro das frequências audíveis. Eu quis aplicar os TIP41C por ter tido bons resultados com o Pur'A, mas nada impede que sejam feitos testes com outros tipos, e eu encorajo que alguém o faça!

Baixe aqui o arquivo PDF com o esquema elétrico completo e placa de circuito impresso do Minimalista Amplifier.

Versão 1.1



Nova versão 1.2

Atualizado em 20/06/2025 12h41




















Sugestão de placa de circuito impresso completa (28,95 cm x 12,65 cm)







Visualização 3D da placa de circuito impresso (versão 1.2)



A PCB da versão 1.2 foi gerada no Kicad 9 e pode ser utilizada como referência se você for montar o projeto. Possui todos os circuitos numa placa só, bastando alimentar com o transformador recomendado no esquema elétrico.







Compartilhe com alguém!