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Daphile: transformando um PC antigo em um servidor de música dedicado

Um computador antigo, um SSD de apenas 4 GB, um HDD de 500 GB e o Daphile. É tudo o que foi necessário para criar um servidor de música dedicado, elegante e praticamente invisível no sistema de áudio.




Existe algo particularmente interessante em pegar um computador que já não teria muita utilidade para as tarefas atuais e transformá-lo em uma peça dedicada de um sistema de áudio. Foi exatamente essa a ideia aqui: construir um media server de música compacto, simples e eficiente, usando o mínimo de hardware possível e o Daphile como sistema operacional. Em vez de instalar um sistema operacional convencional, um desktop e uma série de aplicativos, a máquina foi dedicada exclusivamente à música. O resultado é um equipamento que inicializa, conecta-se à rede e permanece disponível para a biblioteca musical, enquanto toda a interação acontece remotamente. Sem monitor, teclado ou mouse no uso cotidiano. 

Existe algo particularmente interessante em transformar um computador antigo, praticamente esquecido, em um equipamento dedicado exclusivamente à música e foi exatamente essa a ideia por trás deste projeto: um media server compacto, silencioso e elegante, construído com o mínimo de hardware necessário e usando o Daphile. Nada de desktop, teclado, monitor ou um computador rodando dezenas de serviços em segundo plano. Aqui, a máquina existe para uma única finalidade: armazenar, organizar e reproduzir música.

O Daphile, em poucas palavras


O Daphile é um sistema operacional desenvolvido especificamente para funcionar como servidor e player de música em um computador dedicado. Ele trabalha de forma headless, ou seja, depois da instalação praticamente não precisamos mais interagir fisicamente com a máquina: toda a configuração e o controle acontecem pela rede, através de uma interface web. Por baixo dessa experiência bastante simples existe uma combinação de Linux, Squeezebox Server e Squeezelite, com suporte a reprodução bit-perfect, gapless, diversos formatos de áudio e arquivos em alta resolução. O sistema também pode trabalhar diretamente com DACs USB, armazenamento local, unidades de rede e outros dispositivos de áudio.

Para este projeto, a ideia foi justamente fugir da lógica de que um servidor de música precisa de um computador potente. A configuração é quase minimalista: um SSD de apenas 4 GB para o sistema Daphile em 32 bits e um HDD de 500 GB dedicado à biblioteca musical. O próprio Daphile possui requisitos extremamente modestos; a documentação oficial indica processador x86 a partir de i486, apenas 512 MB de RAM e armazenamento inicial de 2 GB. 

A versão oficial atual ainda disponibiliza uma imagem x86 de 32 bits, além das versões x86_64 e x86_64 com kernel de tempo real.

A separação entre sistema e biblioteca também faz bastante sentido neste tipo de construção. O modesto SSD fica responsável pelo Daphile, enquanto o HDD concentra os arquivos de música, permitindo que o sistema operacional permaneça praticamente independente da biblioteca. O próprio Daphile permite configurar unidades adicionais como armazenamento musical e, se desejado, disponibilizá-las também como armazenamento de rede (NAS). O resultado é um equipamento simples, que não precisa impressionar pelas especificações; um projeto robusto que funciona muito bem.

Especificações do projeto


Sistema operacional: Daphile 32-bit x86 (daphile-25.05-i486.iso)
Hardware: ASUS Eee PC
Processador: Intel(R) Celeron(R) M Processor 900Mhz
RAM: 512 MB DDR2 667 MHz 
Armazenamento do sistema: SSD 4 GB
Armazenamento da biblioteca: HDD 500 GB (conectado à USB)
Conectividade: Wi-Fi 802.11b/g, Ethernet 10/100 e 3 portas USB 2.0

Upgrade previsto no projeto: memória RAM e adaptador Wi-Fi

Um digital music system invisível


Depois de configurado, o Daphile praticamente desaparece. Não existe a sensação de estar usando um computador convencional; a biblioteca passa a ser acessada como se estivéssemos diante de um equipamento de áudio dedicado. O controle é diretamente pelo navegador enquanto o computador permanece discretamente conectado à rede e ao sistema de áudio. É uma abordagem que combina muito bem com quem gosta da experiência física dos equipamentos de áudio, mas não quer abrir mão da praticidade de uma biblioteca digital. E existe uma ironia bastante agradável nisso tudo: o hardware é simples, mas o resultado não é. 

O Daphile oferece recursos como reprodução nativa de DSD, PCM de até 384 kHz/24 bits, gapless playback, play from RAM, conversão e processamento digital, CD ripping com verificação AccurateRip e suporte a múltiplas zonas e DACs. Tudo isso em uma plataforma que pode ser instalada em um computador que, de outra forma, provavelmente seria considerado obsoleto. Obviamente que, para extrair o máximo de qualidade dos arquivos e obter um desempenho superior, você deve considerar o investimento em um hardware à altura do resultado que você espera : )

O projeto não nasceu da necessidade de ter o servidor mais rápido ou o hardware mais moderno. A graça está justamente em pegar o que temos, entender o que realmente precisamos e construir algo melhor a partir disso. Um SSD de 4 GB, um HDD de 500 GB, uma máquina x86 antiga e o Daphile são suficientes para criar um verdadeiro servidor de música dedicado, discreto e perfeitamente integrado ao ambiente.

Por que criar um servidor de música?


Para mim, a parte mais interessante não é simplesmente ter mais uma maneira de reproduzir música. É o processo de pegar um hardware barato ou obsoleto e dar a ele uma finalidade completamente nova.

Um PC antigo que teria dificuldades para executar um sistema operacional moderno pode se transformar em uma fonte digital dedicada. Um SSD de 4 GB é mais do que suficiente para armazenar todo o sistema operacional. Um modesto HDD de 500 GB se transforma em uma biblioteca musical. E, depois de tudo configurado, o computador praticamente desaparece da experiência. A melhor solução nem sempre é o hardware mais novo - às vezes é simplesmente utilizar o software adequado, uma arquitetura bem pensada e apenas o hardware necessário para fazer o trabalho.

Sem potência desnecessária. Sem LEDs RGB. Sem over-engineering. Apenas música : )

O projeto ainda não está concluído e tenho explorado as possibilidades do Daphile em um hardware mínimo, gabinete compacto e estratégias de ventilação eficiente e silenciosa. É um protótipo.

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Deu pau no Linux? Esqueceu a senha? Odeia Linux? Vamos lá!


Session
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Quem me conhece sabe que eu odeio Linux. Acho arcaico, feio, burocrático, desleixado, desnecessariamente complicado de ser operado, nada democrático e nada popular. Estável e seguro até não ser mais, e quando isso acontece é um deus nos acuda. Essa é a minha opinião particular, não estou aqui levantando polêmica barata nem quero aparecer: é a minha posição em 18 anos de TI e vários clientes arrancando os cabelos por conta de um servidor Linux que simplesmente para sem nenhum aviso prévio concreto. 

E isso aconteceu com um cliente recentemente que operava um servidor de arquivos Linux 24/7/365 numa rede local com cerca de 15 computadores. Esse servidor não era vital quanto o de sistema (que é um Windows Server 2016) mas continha arquivos importantes o suficiente para que ele ficasse perplexo com a situação. Um programador que manjava de Linux cobrou a bagatela de R$ 600 a hora técnica para tentar recuperar os dados - subindo novamente o Linux. Claro que o cliente não quis. Eu odeio Linux, você sabe, mas adoro uma briga boa e um cliente sorridente. Vou resumir a história agora.

Não tinha tempo (nem saco) pra subir a distro novamente e o cliente precisava com urgência de alguns documentos digitalizados que estavam nesse servidor, num HD de 500GB danificado, com bad blocks em cada esquina e com o S.M.A.R.T. gritando. Mas isso o Linux não avisa, oh no. Ah, o cliente em questão só se deu de conta que tinha algo errado com esse servidor porque a gravação e a leitura pela rede estavam muito lentas, e também me disse que observou a luzinha vermelha da cpu acesa o tempo todo. Peguei o disco, coloquei no meu PC de bancada véio de guerra via SATA e rodei o Ext2explore.exe - dica antiga mas que funciona bem até hoje. O executável escaneia o PC em busca do(s) disco(s) com partições Linux e mostra todas as pastas e conteúdos disponíveis. Lembra bastante o salvador da pátria Ghost Explorer. Daí ficou fácil, só salvar as pastas ou arquivos que você precisa e pronto. Essa cópia levou cerca de 3 horas, e todos os mais de 300GB foram recuperados com sucesso. Vou deixar o executável disponível no Drive para quem precisar se livrar do Linux salvar clientes um dia também.

E agora? Bom, o cliente me pediu para montar um servidor de arquivos novinho pra ele, igual àqueles que montei em junho pra ele: com Windows Server 2016. 

Aprecio bastante o software livre, acho muito relevante que o conhecimento seja para todos e que todos possam colaborar de alguma forma para que esse conhecimento seja disseminado para o bem. Só não concordo em utilizar software livre - como um servidor Linux - para grandes operações quando você não possui um suporte técnico eficiente e especializado para resolver em tempo hábil problemas graves.
 
Baixe aqui o Ext2explore e seja feliz!

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