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Planejamento e execução de projetos DIY 3

fonte: diyPowered
Depois de alguns anos desenvolvendo projetos DIY, é interessante perceber que muitas das dificuldades encontradas durante a construção de um equipamento não estão necessariamente relacionadas ao circuito eletrônico. É claro que escolher componentes, projetar uma fonte de alimentação, dimensionar dissipadores ou desenhar uma PCB são etapas importantes, mas existe uma parte menos evidente do processo que costuma aparecer somente depois de vários projetos concluídos: aprender a tomar boas decisões antes, durante e depois da construção.

Nos primeiros textos da série, falei principalmente sobre planejamento, organização, escolha de componentes, testes, layout, dissipação térmica e acabamento. São pontos fundamentais e continuam válidos, porém com o tempo, surgem outras questões que não aparecem quando estamos começando. Quanto um projeto realmente custa? Como lidar com componentes que deixam de existir? Como saber se uma nova função realmente vale a complexidade que acrescenta? Como documentar corretamente uma versão? E talvez a pergunta mais difícil: em que momento devemos considerar um projeto terminado?

Este terceiro artigo é justamente sobre essas questões.

Antes de começar, defina o que realmente precisa ser construído


Um dos maiores problemas em projetos DIY é começar pela solução antes de definir claramente o problema. Encontramos um circuito interessante, um componente novo ou uma ideia em algum fórum e imediatamente começamos a imaginar como incorporá-la ao próximo projeto. O resultado pode ser tecnicamente interessante, mas nem sempre será um equipamento melhor.

Antes de escolher componentes ou desenhar a primeira placa, vale definir exatamente o que o projeto precisa fazer. Um amplificador, por exemplo, pode precisar de determinada potência, duas entradas, controle de volume, proteção para os alto-falantes e uma fonte adequada. Isso já é um projeto suficientemente completo. Adicionar display, controle remoto, VU meter, Bluetooth, monitor de temperatura e outras funções pode ser interessante, mas cada recurso acrescenta componentes, conexões, espaço, possibilidades de falha e tempo de desenvolvimento. Por isso, uma pergunta simples costuma ser muito útil: o que este projeto não precisa fazer? Saber retirar funções é tão importante quanto saber adicioná-las. 

Um projeto bem planejado não é aquele que possui o maior número de recursos, mas aquele em que cada recurso existente tem uma razão para estar ali - pense como se está ali, é porque precisa estar ali.

O escopo precisa ter um limite


Projetos DIY são particularmente vulneráveis ao chamado escopo infinito. Durante o desenvolvimento sempre aparece uma nova ideia que parece simples de implementar. Depois outra. E mais uma. Quando percebemos, aquele pequeno projeto que deveria levar algumas semanas transformou-se em um equipamento completamente diferente da ideia original.

Isso não significa que devemos impedir mudanças, muito pelo contrário! Algumas das melhores soluções aparecem justamente durante a construção. O importante é reconhecer quando uma ideia representa uma mudança real de escopo. Adicionar uma proteção pode ser uma melhoria natural; acrescentar um sistema completo de controle remoto já é uma nova parte do projeto e precisa ser avaliado como tal. Essa percepção ajuda a preservar uma das coisas mais importantes em qualquer projeto: a capacidade de terminá-lo.

Divida o projeto em blocos


Outra mudança importante que acontece com a experiência é deixar de enxergar o equipamento como um único circuito. Um projeto eletrônico normalmente é formado por vários blocos independentes que precisam trabalhar juntos. Em um amplificador, por exemplo, podemos separar entrada, pré-amplificação, controle de volume, estágio de potência, fonte, proteção, interface e alimentação auxiliar... essa divisão facilita muito o desenvolvimento porque permite testar cada parte individualmente. Mais importante ainda, permite reutilizar aquilo que já foi desenvolvido. Uma fonte que funcionou muito bem em um projeto pode ser adaptada para outro, um circuito de proteção já testado não precisa ser reinventado. Um padrão de painel ou uma solução mecânica pode se transformar em uma referência para vários equipamentos futuros.

É nesse ponto que o DIY começa a deixar de ser uma coleção de projetos isolados. Aos poucos, criamos uma biblioteca própria de soluções, conhecimentos, circuitos, componentes e decisões que podem ser reaproveitados. O projeto seguinte não começa mais do zero.

Reutilizar também faz parte do desenvolvimento


Existe uma ideia interessante no universo maker de que um projeto precisa sempre apresentar alguma coisa completamente nova, mas na prática, isso não faz muito sentido. Se uma determinada solução foi desenvolvida, testada e documentada, reutilizá-la é uma demonstração de maturidade, não de falta de criatividade. Reutilizar um circuito significa que você já conhece suas limitações, que parte do risco do próximo projeto foi eliminada. Também significa que o tempo pode ser direcionado para aquilo que realmente é novo.

Isso vale para fontes de alimentação, circuitos de proteção, módulos de controle, padrões de PCB, sistemas de montagem, bibliotecas de componentes e até mesmo procedimentos de teste. Com o tempo, o maior patrimônio de quem desenvolve projetos DIY deixa de ser a quantidade de equipamentos construídos e passa a ser o conhecimento acumulado entre eles.

Componentes também precisam entrar no planejamento


Um projeto pode funcionar perfeitamente no papel e ainda assim ser uma escolha ruim para o futuro se depender de componentes difíceis de encontrar. Essa é uma preocupação que normalmente aparece tarde demais. Escolhemos um transistor, regulador ou circuito integrado porque suas características são excelentes, construímos a placa e, meses depois, descobrimos que o componente desapareceu do mercado ou passou a ser encontrado apenas em fornecedores de procedência duvidosa. Por isso, a disponibilidade dos componentes deve fazer parte da decisão de projeto. Não significa que devemos utilizar somente peças populares ou modernas, componentes antigos podem ser excelentes e muitas vezes são justamente parte da personalidade de um projeto. O importante é saber quando estamos criando uma dependência e, sempre que possível, explorar alternativas.

Também vale guardar alguns componentes críticos. O custo de comprar algumas unidades extras geralmente é muito menor do que o trabalho necessário para redesenhar uma placa porque determinado componente deixou de ser encontrado.

O custo real é maior do que a BOM


Outro aspecto que costuma ser subestimado é o custo. Uma lista de materiais pode mostrar que determinado circuito custará R$ 200, mas dificilmente esse será o custo real do projeto. Existe a PCB, o frete, o gabinete, conectores, fios, parafusos, dissipadores, ferramentas, materiais de teste e, principalmente, tudo aquilo que foi comprado durante o desenvolvimento e acabou não fazendo parte da versão final e... existe o tempo.

Não é necessário transformar um hobby em uma planilha financeira ou atribuir um valor ao prazer de construir alguma coisa, mas é importante reconhecer que um projeto de quarenta horas de desenvolvimento é diferente de outro que pode ser concluído em quatro horas. O objetivo do DIY não precisa ser produzir algo pelo menor custo possível. Muitas vezes estamos pagando justamente pela experiência de desenvolver e aprender : )

O importante é saber o que estamos comprando com esse investimento.

O protótipo tem liberdade para dar errado!


Uma das maiores vantagens de um protótipo é justamente permitir erros. Na bancada, podemos utilizar fios maiores, fontes externas, componentes provisórios, placas perfuradas e soluções que jamais fariam parte do equipamento definitivo. Essa etapa existe para responder uma pergunta simples: a ideia funciona? Porque o problema começa quando o protótipo passa a ser tratado como produto final.

Depois que o circuito está comprovado, começa (ou deveria começar!) uma segunda etapa. Precisamos descobrir se ele funciona de forma segura, estável e previsível durante longos períodos, verificar temperaturas, consumo, comportamento sob carga, proteção e montagem mecânica. Uma coisa é conseguir fazer um circuito funcionar durante dez minutos na bancada, outra é construir um equipamento que possa permanecer ligado durante horas sem problemas.

O protótipo deve ser um lugar seguro onde podemos errar e o (possível e viável) equipamento final deve ser o resultado de termos aprendido com isso.

Defina critérios para considerar o projeto pronto


Um dos problemas mais comuns em projetos pessoais é não existir um momento claro de encerramento, pois quase sempre encontramos algo que poderia ser melhorado. Um capacitor poderia ser trocado, o gabinete poderia ser diferente, o layout poderia ser mais compacto, o dissipador poderia ser maior ou uma função adicional poderia ser incluída. Se não estabelecermos algum tipo de limite, o projeto nunca termina. Por isso, é interessante definir previamente o conceito de 'pronto'. 

O projeto pode ser considerado concluído, por exemplo, quando todas as funções previstas estão funcionando, as tensões estão dentro dos limites, a temperatura foi avaliada, a proteção foi testada, o equipamento passou por um período de funcionamento contínuo, se toda a documentação foi atualizada. O que vier depois disso, seja melhoria ou correção, deverá gerar uma nova versão ou revisão.

Lembra que existe o tempo? Então, é sobre isso.

Versionar é preservar a história do projeto


Quem já desenvolveu vários projetos certamente conhece a sequência de arquivos chamados final, final2, final_novo, final_agora_vai e assim por diante. Esse método pode funcionar enquanto existe apenas uma placa sobre a bancada, mas rapidamente se torna um problema quando o projeto evolui. Adotar versões simples, como v1.0, v1.1 e v2.0, muda completamente essa organização. E claro que, tão importante quanto o número, é registrar o que mudou em cada versão. Por exemplo, uma pequena correção de layout pode ser uma revisão, já uma mudança significativa na arquitetura deve justificar uma nova versão principal.

A versão antiga não é necessariamente uma versão ruim, ela é parte da história do desenvolvimento.

Documente também o que deu errado


Existe uma tendência natural de mostrar apenas o resultado, o produto final, o que é bonito. A placa pronta, o gabinete acabado, a fotografia final e o projeto funcionando. Mas os problemas encontrados durante o desenvolvimento são justamente algumas das informações mais valiosas. Se uma determinada disposição de cabos provocou ruído, isso deve ser registrado; se um dissipador ficou pequeno, vale anotar. Uma fonte não suportou determinada condição de carga, a informação pode evitar que o mesmo erro seja repetido no futuro. Uma boa documentação não deve explicar apenas como reproduzir ou validar um projeto, mas também registrar aquilo que aprendemos durante o processo. Às vezes, saber o que não fazer é mais útil do que conhecer apenas a solução final!

Funcionou é uma informação importante, mas é uma informação limitada. Quanto consumiu? Qual foi a temperatura? Qual era a tensão de alimentação? Qual foi a tensão DC na saída? Qual carga foi utilizada? Quanto tempo permaneceu funcionando?

Quanto mais complexo for o projeto, mais importante é transformar observações em números. Não é necessário transformar cada montagem em um laboratório profissional, mas algumas medições simples podem mudar completamente a qualidade da documentação. Numa próxima versão desenvolvida, esses números passam a ser referências. E quando outra pessoa reproduzir o projeto, ela terá parâmetros para comparar seu próprio resultado.

A diferença entre parece funcionar e foi testado nestas condições é enorme.

Pense na manutenção antes de fechar o gabinete


Um equipamento DIY provavelmente será aberto novamente algum dia. Pode ser para uma manutenção, uma medição, uma atualização ou simplesmente porque surgiu uma dúvida depois de algum tempo.

É comum pensar primeiramente na eletrônica e somente depois definir onde e como tudo será montado. Essa abordagem funciona até certo ponto, mas pode criar problemas difíceis de resolver quando você precisar montar o projeto de forma definitiva. A placa precisa caber com perfeição e possuir fixação estrutural, os conectores precisam ficar acessíveis, o cabeamento precisa ter seu ponto de passagem, os dissipadores precisam ter espaço, o transformador precisa estar corretamente posicionado... e tudo precisa ser montável. Por isso, o projeto mecânico deve evoluir junto com o eletrônico. Não existe uma separação absoluta entre o circuito e o equipamento. A placa, o gabinete, a fonte, os cabos, os dissipadores e o painel fazem parte do mesmo corpo.

Por isso, vale lembrar durante a montagem que você terá de reparar aquele equipamento em algum momento no futuro. Será possível chegar à placa? Os conectores estarão identificados? Os cabos poderão ser removidos? Será possível medir as tensões sem desmontar tudo? Um componente poderá ser substituído sem desmontar metade do equipamento? Um projeto bem construído não é apenas aquele que funciona quando é novo, ele também deve ser pensado a longo prazo em todos os cenários.

Não tenha medo de abandonar uma solução


Depois de investir tempo e dinheiro em uma solução, existe uma tendência natural de tentar salvá-la a qualquer custo. Mas insistir em uma solução ruim apenas porque já investimos muito nela não recupera o investimento e menos ainda, o tempo. Geralmente, apenas aumenta o prejuízo. Uma placa que precisou ser refeita não representa necessariamente um fracasso, mas pode representar uma etapa necessária para entender o problema.  Um circuito descartado ensina algo que será utilizado no próximo projeto. 

É importante também entender que existem diferentes objetivos para um projeto DIY. Alguns são feitos para aprender, outros para experimentar uma ideia, outros para construir algo que será utilizado diariamente e outros, apenas para validar algo. Existem ainda projetos pensados para serem compartilhados e reproduzidos por outras pessoas e cada cenário exige um nível diferente de documentação, comunicação, detalhamento e conclusões. Por exemplo, uma montagem experimental pode ser perfeitamente válida mesmo que possua fios espalhados pela bancada e um equipamento de uso diário precisa ser mais robusto; um projeto publicado precisa ser compreensível, um projeto que pretende ser reproduzido por outras pessoas precisa oferecer arquivos, componentes, processos bem definidos e informações suficientes para que alguém consiga chegar a um resultado satisfatório.

Compartilhar muda a responsabilidade


Quando um projeto é publicado, ele deixa de ser apenas seu. Outra pessoa pode baixar os arquivos, fabricar uma placa, reproduzir aquilo que você construiu ou até modificar o propósito original. É nesse momento que pequenas omissões podem se tornar grandes desafios para quem olha de fora seu projeto.

Regule a fonte precisa ser explicado para qual valor, faça a calibração precisa explicar como. Use este componente precisa indicar exatamente qual componente e possíveis substitutos, de acordo com a realidade geográfica. Documentação não precisa ser complicada e cheia de detalhes inúteis, precisa ser suficientemente precisa. Um bom projeto publicado permite que outra pessoa compreenda não apenas o que foi construído, mas também as decisões que tornaram aquela construção possível.

Preserve os projetos antigos


Com o tempo, acumulamos arquivos, fotos, anotações, placas e versões que parecem não ter mais utilidade. É tentador apagar tudo e manter somente a versão mais recente, mas uma versão antiga pode ter uma solução que será útil anos depois, por isso, mantenha todos os registros do projeto desde seu início. Uma foto pode esclarecer uma montagem assim como um esquema elétrico anterior pode explicar uma decisão que deixou de ser aplicada na época e aquela placa de validação que seria descartada pode servir como referência para outro projeto, eliminando etapas por você já saber qual caminho seguir ou não, para obter determinado resultado.

Organizar e preservar esquemáticos, PCBs, Gerbers, listas de componentes, desenhos mecânicos, fotos, medições e documentos é preservar a possibilidade de compreender que, no final, o circuito pronto é apenas uma parte do resultado. Ficam também as decisões que funcionaram, os componentes que aprendemos a utilizar, os erros que não queremos repetir, as soluções que podem ser reutilizadas e, principalmente, o conhecimento adquirido durante todo o processo. É por isso que um projeto DIY não precisa ser perfeito para ser valioso, e tudo isso faz parte de uma experiência que se renova a cada ideia ou necessidade.

Não construa apenas o circuito, construa o projeto


Um circuito é apenas uma parte daquilo que estamos construindo. O projeto inclui a ideia, o escopo, a escolha dos componentes, os testes, a PCB, a fonte, o gabinete, a segurança, a documentação, a manutenção e todas as decisões tomadas ao longo do caminho. E existe ainda uma última parte, que talvez seja a mais importante: aquilo que aprendemos. Um bom projeto DIY não é necessariamente aquele que funciona perfeitamente na primeira tentativa, mas aquele que, quando termina, deixa você sabendo mais do que sabia antes. E isso torna possível começar o próximo projeto de uma maneira diferente.

Visualize o projeto antes de pensar em como começar qualquer coisa, valide cada processo, anote, mensure, refaça. E quando pensar que o projeto está bom o suficiente para colocar em produção, volte uma casa.

Daphile: transformando um PC antigo em um servidor de música dedicado

Um computador antigo, um SSD de apenas 4 GB, um HDD de 500 GB e o Daphile. É tudo o que foi necessário para criar um servidor de música dedicado, elegante e praticamente invisível no sistema de áudio.




Existe algo particularmente interessante em pegar um computador que já não teria muita utilidade para as tarefas atuais e transformá-lo em uma peça dedicada de um sistema de áudio. Foi exatamente essa a ideia aqui: construir um media server de música compacto, simples e eficiente, usando o mínimo de hardware possível e o Daphile como sistema operacional. Em vez de instalar um sistema operacional convencional, um desktop e uma série de aplicativos, a máquina foi dedicada exclusivamente à música. O resultado é um equipamento que inicializa, conecta-se à rede e permanece disponível para a biblioteca musical, enquanto toda a interação acontece remotamente. Sem monitor, teclado ou mouse no uso cotidiano. 

Existe algo particularmente interessante em transformar um computador antigo, praticamente esquecido, em um equipamento dedicado exclusivamente à música e foi exatamente essa a ideia por trás deste projeto: um media server compacto, silencioso e elegante, construído com o mínimo de hardware necessário e usando o Daphile. Nada de desktop, teclado, monitor ou um computador rodando dezenas de serviços em segundo plano. Aqui, a máquina existe para uma única finalidade: armazenar, organizar e reproduzir música.

O Daphile, em poucas palavras


O Daphile é um sistema operacional desenvolvido especificamente para funcionar como servidor e player de música em um computador dedicado. Ele trabalha de forma headless, ou seja, depois da instalação praticamente não precisamos mais interagir fisicamente com a máquina: toda a configuração e o controle acontecem pela rede, através de uma interface web. Por baixo dessa experiência bastante simples existe uma combinação de Linux, Squeezebox Server e Squeezelite, com suporte a reprodução bit-perfect, gapless, diversos formatos de áudio e arquivos em alta resolução. O sistema também pode trabalhar diretamente com DACs USB, armazenamento local, unidades de rede e outros dispositivos de áudio.

Para este projeto, a ideia foi justamente fugir da lógica de que um servidor de música precisa de um computador potente. A configuração é quase minimalista: um SSD de apenas 4 GB para o sistema Daphile em 32 bits e um HDD de 500 GB dedicado à biblioteca musical. O próprio Daphile possui requisitos extremamente modestos; a documentação oficial indica processador x86 a partir de i486, apenas 512 MB de RAM e armazenamento inicial de 2 GB. 

A versão oficial atual ainda disponibiliza uma imagem x86 de 32 bits, além das versões x86_64 e x86_64 com kernel de tempo real.

A separação entre sistema e biblioteca também faz bastante sentido neste tipo de construção. O modesto SSD fica responsável pelo Daphile, enquanto o HDD concentra os arquivos de música, permitindo que o sistema operacional permaneça praticamente independente da biblioteca. O próprio Daphile permite configurar unidades adicionais como armazenamento musical e, se desejado, disponibilizá-las também como armazenamento de rede (NAS). O resultado é um equipamento simples, que não precisa impressionar pelas especificações; um projeto robusto que funciona muito bem.

Especificações do projeto


Sistema operacional: Daphile 32-bit x86 (daphile-25.05-i486.iso)
Hardware: ASUS Eee PC
Processador: Intel(R) Celeron(R) M Processor 900Mhz
RAM: 512 MB DDR2 667 MHz 
Armazenamento do sistema: SSD 4 GB
Armazenamento da biblioteca: HDD 500 GB (conectado à USB)
Conectividade: Wi-Fi 802.11b/g, Ethernet 10/100 e 3 portas USB 2.0

Upgrade previsto no projeto: memória RAM e adaptador Wi-Fi

Um digital music system invisível


Depois de configurado, o Daphile praticamente desaparece. Não existe a sensação de estar usando um computador convencional; a biblioteca passa a ser acessada como se estivéssemos diante de um equipamento de áudio dedicado. O controle é diretamente pelo navegador enquanto o computador permanece discretamente conectado à rede e ao sistema de áudio. É uma abordagem que combina muito bem com quem gosta da experiência física dos equipamentos de áudio, mas não quer abrir mão da praticidade de uma biblioteca digital. E existe uma ironia bastante agradável nisso tudo: o hardware é simples, mas o resultado não é. 

O Daphile oferece recursos como reprodução nativa de DSD, PCM de até 384 kHz/24 bits, gapless playback, play from RAM, conversão e processamento digital, CD ripping com verificação AccurateRip e suporte a múltiplas zonas e DACs. Tudo isso em uma plataforma que pode ser instalada em um computador que, de outra forma, provavelmente seria considerado obsoleto. Obviamente que, para extrair o máximo de qualidade dos arquivos e obter um desempenho superior, você deve considerar o investimento em um hardware à altura do resultado que você espera : )

O projeto não nasceu da necessidade de ter o servidor mais rápido ou o hardware mais moderno. A graça está justamente em pegar o que temos, entender o que realmente precisamos e construir algo melhor a partir disso. Um SSD de 4 GB, um HDD de 500 GB, uma máquina x86 antiga e o Daphile são suficientes para criar um verdadeiro servidor de música dedicado, discreto e perfeitamente integrado ao ambiente.

Por que criar um servidor de música?


Para mim, a parte mais interessante não é simplesmente ter mais uma maneira de reproduzir música. É o processo de pegar um hardware barato ou obsoleto e dar a ele uma finalidade completamente nova.

Um PC antigo que teria dificuldades para executar um sistema operacional moderno pode se transformar em uma fonte digital dedicada. Um SSD de 4 GB é mais do que suficiente para armazenar todo o sistema operacional. Um modesto HDD de 500 GB se transforma em uma biblioteca musical. E, depois de tudo configurado, o computador praticamente desaparece da experiência. A melhor solução nem sempre é o hardware mais novo - às vezes é simplesmente utilizar o software adequado, uma arquitetura bem pensada e apenas o hardware necessário para fazer o trabalho.

Sem potência desnecessária. Sem LEDs RGB. Sem over-engineering. Apenas música : )

O projeto ainda não está concluído e tenho explorado as possibilidades do Daphile em um hardware mínimo, gabinete compacto e estratégias de ventilação eficiente e silenciosa. É um protótipo.

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Sony FH-G33AV sem som (relé de saída não aciona)

Session
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Há alguns dias, meu Sony FH-G33AV parou de tocar nas duas caixas de som depois de um thump. Pensei logo de cara: lá se foi o STK e vai ser uma briga encontrar um pra comprar. Mas não foi isso que aconteceu com ele, não dessa vez.

Resumindo, a carcaça inferior dele está conectada ao GND da placa phones por fio. O problema é que esse GND parou de conduzir por alguma razão, deixando o relé de saída sem acionamento. O teste é bem simples: faz um jumper da carcaça inferior ao GND do deck ou da placa principal. Se o relé bater, resolvido. Se não, revisar o circuito de proteção (que mostro no vídeo abaixo) e desconfiar do STK em último caso.

Para testar o STK4213II, basta jumpear as saídas do relé para conectar as caixas de som. O manual do usuário e de serviço para esse modelo você pode baixar aqui.



Dia de mecânico - trocando a sonda lambda de pós do Celta VHCE 2009/2010 e apagando a luz da injeção

Session.

Há muito tempo, comprei um scanner automotivo bluetooth ELM 321 pela China - bem antes dessa taxação ridícula - para me divertir com o Chery QQ 2011 que eu tinha. De lá pra cá, ajudei muita gente fazendo a leitura da ECU antes de levar na oficina só pra não ser tapeado : )

O caso mais recente é o Celta VHCE 2009/2010 de estimação, segundo dono com seus 111.500 km e muito íntegro. Eu já tinha feito a leitura da ECU e sabia que o heater da sonda de pós estava aberto, acendendo a luz da injeção no painel. Como essa sonda não afeta o comportamento do motor, esse reparo entrou para a classificação o dia que der, eu troco. E esse dia chegou.

Sem mais delongas, o código da peça original GM é 93310435 e você pode comprar pelo Mercado Livre sem medo. O app que uso é o Car Scanner.


















PWA2030BTL - amplificador bridged com TDA2030A

O amplificador BTL com TDA2030A sempre teve uma proposta bastante direta dentro do diyPowered: explorar a configuração em ponte de um componente clássico e conhecido, transformando dois TDA2030A em um estágio capaz de entregar uma potência consideravelmente maior do que seria possível em uma configuração convencional. A nova versão 1.1 mantém essa essência, mas leva o projeto para uma arquitetura muito mais completa e madura. 

Mais do que uma nova placa, esta atualização representa uma evolução do projeto anterior como um todo, desde o esquema elétrico até a alimentação, proteção, painel e documentação.

Nesta nova versão, o projeto passa a ser desenvolvido como um amplificador monoblock, com todos os elementos necessários para a construção de um módulo de potência completo reunidos em uma única solução. O estágio de saída continua baseado em dois TDA2030A trabalhando em configuração BTL (Bridge-Tied Load), mas agora o conjunto incorpora uma nova arquitetura de alimentação, circuito de proteção dos alto-falantes, controle de volume e interface de painel frontal. O resultado é um projeto mais organizado e completo, mantendo a simplicidade e a identidade DIY que sempre estiveram presentes no projeto original.

A configuração BTL é justamente o elemento central desta proposta. Essa arquitetura permite aproveitar de maneira mais eficiente a tensão disponível para o estágio de potência e resulta em uma potência nominal de aproximadamente 35W totais para o monoblock. É uma aplicação particularmente interessante para quem deseja explorar os limites práticos de um componente clássico sem transformar o projeto em um circuito excessivamente complexo.

Um novo esquema elétrico

O esquema da versão anterior foi completamente revisado e um novo esquema elétrico foi desenvolvido no KiCad, reorganizando os blocos funcionais e incorporando as novas características do projeto. A documentação agora representa de maneira mais clara a arquitetura completa do amplificador, incluindo os dois estágios TDA2030A, a fonte principal simétrica, a fonte auxiliar, o circuito speaker soft start e as conexões externas.

O novo esquema também evidencia uma preocupação maior com a integração entre os diferentes blocos do amplificador. A fonte principal possui sua própria etapa de retificação e filtragem, enquanto a alimentação auxiliar atende aos circuitos que não precisam da mesma capacidade de corrente do estágio de potência. Também foram mantidos recursos como o ground loop breaker, permitindo uma abordagem mais cuidadosa para o gerenciamento das conexões de terra durante a montagem do equipamento.

Uma fonte de alimentação à altura do projeto

Em um amplificador de potência, uma fonte de alimentação robusta é parte fundamental do projeto para alcançar o máximo desempenho do equipamento. Por isso, a versão 1.1 recebeu uma nova fonte de alimentação com maior capacidade de filtragem. A etapa principal utiliza retificação em ponte e um conjunto de capacitores eletrolíticos de grande valor, formando uma reserva de energia muito mais poderosa para o estágio de saída. Essa abordagem segue uma característica importante do diyPowered: quando o objetivo é construir um amplificador de potência, vale a pena dedicar atenção especial àquilo que muitas vezes fica escondido dentro do gabinete. 

Uma fonte bem dimensionada, com boa capacidade de filtragem e distribuição adequada das alimentações, contribui para que o estágio BTL possa trabalhar de maneira mais consistente e para que a placa funcione como um sistema realmente integrado, em vez de simplesmente reunir vários circuitos independentes.

Nova placa com painel frontal

A nova PCB foi desenvolvida como uma placa completa de monoblock, reunindo amplificador, alimentação, proteção e conexões em um único projeto. Mas a proposta não termina na placa principal: o projeto também inclui uma PCB de painel frontal, incorporada à panelização, onde ficam o potenciômetro de volume e os LEDs de indicação. A utilização de uma placa panelizada torna o conjunto especialmente interessante para quem pretende transformar o projeto em um equipamento final. Em vez de pensar apenas na PCB do circuito eletrônico, a placa já considera a interação com o gabinete e com o painel frontal. 

É uma pequena mudança de filosofia, mas bastante importante: o projeto deixa de ser apenas um circuito amplificador e passa a ser pensado como a base de um equipamento completo.

Observações sobre a montagem

  • Use um bom excelente dissipador de calor ou compense com ventilação auxiliar (cooler)
  • Monte a fonte de alimentação com todo cuidado para evitar ruídos e interferências, não poupe esforços e o projeto vai lhe surpreender
  • Aperte bem os CIs no dissipador e use pasta térmica para que a transferência de calor seja eficiente
  • O terra da entrada (E) é comum ao gabinete, mas não é comum ao GND do circuito! Uma chave extra (LIFT/GROUND) que está representada no esquema elétrico como 'opcional' servirá para unir os grounds, se achar necessário
  • Use cabos blindados nas entradas de sinal e dê preferência para gabinetes metálicos - se optar por um gabinete plástico, recomendo forrar internamente com folhas metálicas as partes mais próximas do amplificador e aterrá-las, assim como qualquer ponto metálico 'solto' - como o corpo do potenciômetro, suporte do transformador etc. - para evitar interferências e ruídos (sim, é muito sensível se a montagem não for bem estruturada)
    • Essa união é pelo GND do circuito, não pelo terra do gabinete
  • Caixas acústicas de 8Ω com duas ou três vias são recomendadas, para que toda a qualidade da reprodução possa ser apreciada
  • Atenção aos pontos 'comuns' do circuito, para concentrar a malha e evitar loops de terra

Baixe aqui o arquivo PDF com o esquema elétrico completo do amplificador:

PWA2030BTL 1.1 - Esquema elétrico.pdf









PROCATER MI5 - Nova versão do protetor contra alta tensão de retorno

Quando falta energia elétrica, um dos hábitos mais enraizados em qualquer casa brasileira é correr até a tomada para desconectar geladeira, freezer, ar-condicionado e demais equipamentos de uso contínuo. O motivo é conhecido: a rede elétrica nacional, especialmente em regiões com infraestrutura mais precária, pode apresentar picos de retorno de tensão extremamente severos no momento em que o fornecimento é restabelecido - casos de redes 127V que saltam para próximo de 180V por períodos de até dois segundos não são incomuns, e esse tipo de transiente é suficiente para causar danos permanentes a compressores, placas eletrônicas e fontes de alimentação com comutação bivolt manual.

O PROCATER (Protetor Contra Alta Tensão de Retorno) nasceu exatamente para eliminar essa vulnerabilidade. Trata-se de um dispositivo de proteção temporizada que se posiciona entre a rede elétrica e o equipamento protegido, suspendendo a energização da carga por um intervalo predeterminado sempre que a alimentação é restabelecida após uma queda. Esse pequeno intervalo - tempo suficiente para que a tensão da concessionária se estabilize - é o que garante que o equipamento jamais receba o pico de retorno, por mais severo ou repetitivo que ele seja.

Funcionamento do circuito

O princípio de operação do PROCATER é deliberadamente simples e robusto, características que se tornaram a marca registrada de toda a linha. Ao ser energizado, o circuito não libera imediatamente a saída para o equipamento protegido: um LED indicador de espera se acende, sinalizando que a temporização está em curso. Decorrido o tempo de segurança, um relé interno comuta e libera a energia para a carga. Caso a energia elétrica falte novamente durante esse processo, ou mesmo de forma intermitente, o PROCATER reinicia o ciclo de proteção, garantindo que o equipamento conectado jamais fique exposto a transientes de religamento, por mais instável que seja o fornecimento.

Além da função temporizadora, alguns modelos incorporam filtros AC para atenuação de ruídos e transientes comuns da rede, fusível de proteção dedicado à saída e, em versões mais recentes, proteção adicional por varistores e indicação de fusível rompido. A capacidade de corrente segura gira em torno de 8A contínuos, com pico admissível de até 10A, o que cobre confortavelmente a grande maioria dos equipamentos residenciais e comerciais de uso contínuo.

Aplicações típicas

O PROCATER foi empregado com sucesso, principalmente, na proteção de centrais telefônicas comerciais em ambientes com histórico recorrente de queima de equipamentos por descargas e sobretensão. Até mesmo em redes com refrigeradores e freezers e sistemas de telecomunicações de uso contínuo o aparelho foi empregado e validado como uma solução eficiente. Em praticamente todos os relatos de campo documentados, a incidência de falhas elétricas nos equipamentos protegidos caiu a zero após a instalação do dispositivo, validando na prática a eficácia do conceito original.

Baixe aqui o esquema elétrico do projeto:


Filosofia de projeto

Ao longo de sua trajetória, o PROCATER evoluiu em duas frentes paralelas: uma linha monofásica analógica individual, sem qualquer processamento digital embarcado (as versões I, II, III, MI e MI Volt), focada em robustez, simplicidade de manutenção e custo reduzido; e uma linha avançada com microcontrolador, representada pelo PROCATER ADVANCE, que introduziu monitoramento em tempo real da rede elétrica e registro de eventos em cartão de memória.

Versão

Modelo

Principais características

V1/2015

PROCATER (original)

Primeira versão do conceito. Circuito analógico monofásico individual. LED PW (vermelho) indica espera; LED OK (verde) ganha brilho gradual até acionamento (~1 minuto). Filtro AC contra ruídos/transientes e fusível de proteção na saída. Carga segura de 8A (pico 10A). Uso pioneiro: proteção de refrigerador residencial e, posteriormente, central telefônica de hotel.

V2/2017

PROCATER II

Segunda unidade monofásica analógica individual, construída para aplicação em telefonia comercial. Mantém a topologia e o princípio da V1. LED único de indicação. Tomada de saída em padrão antigo (proposital, para compatibilidade com instalação local). 

Advance/2017

PROCATER ADVANCE

Evolução para plataforma digital, baseada em microcontrolador ATMEGA328P-PU. Introduz display retroiluminado com leitura da rede elétrica em tempo real, alertas visuais e sonoros, e gravação de logs em cartão microSD para análise histórica de quedas e subtensões, permitindo geração de relatórios e gráficos por período. Alimentação de backup por bateria interna de 7,4V x 2,2A, recarregada automaticamente pelo próprio circuito. Precisão de leitura comparável a multímetros comerciais. Protótipo de viabilidade, sem produção seriada.

V3/2017

PROCATER III

Terceira versão da linha monofásica analógica individual. Adiciona indicador dedicado de fusível aberto (LED vermelho abaixo da caixa de fusível) e pequenos refinamentos no circuito analógico para maior precisão de temporização. Mantém capacidade de 8A safe / 10A peak e tomada padrão antigo na saída. Uso particular (proteção de refrigerador).

V4 (MI)/2018

PROCATER MI

Rebatiza a linha individual com a sigla MI (Monofásico Individual), consolidando um padrão de produto mais definido. Gabinete plástico com fixadores de parede para instalação padronizada. Duas tomadas em padrão antigo. Fusível em caixa externa para troca rápida, dimensionado conforme a carga (até 10A). Cabo de força removível para fácil substituição. LED laranja único de indicação de funcionamento. Voltada a aplicações comerciais recorrentes (centrais de telecomunicações).

V4.1 (MI Volt)/2020

PROCATER MI Volt

Evolução do PROCATER MI para uso doméstico/interno. Principal diferencial: substituição dos LEDs indicadores por um display digital voltímetro DC, permitindo leitura da tensão em tempo real. Adiciona proteção complementar por varistores, mantendo os filtros básicos e o fusível de linha. 

MI5/2026

PROCATER MI5

Versão atual com eliminação da alimentação por transformador, evolução no circuito com destaque para maior capacidade de carga.






Recuperar tablet Samsung Galaxy Tab E SM-T116BU (Stock ROM Android 4.4.4 original)

Session.

Há algum tempo, atualizei o Samsung Galaxy Tab E SM-T116BU com uma imagem Lineage para Android 7. Esse post rende muitos acessos até hoje no site e alguns visitantes pediram a versão original de fábrica - ou stock ROM - para downgrade ou para recuperar instalações truncadas.

Sem mais delongas, estou disponibilizando a imagem original do modelo que vai te ajudar a recuperar esse tablet. 

1. Baixe a ROM original do Samsung Galaxy Tab E SM-T116BU


Baixe aqui os arquivos necessários para atualização do Samsung Galaxy Tab E SM-T116BU e continue seguindo as etapas. Habilite as opções de desenvolvedor pelas configurações e também a depuração USB.

A senha para descompactar o arquivo RAR é diypowered.

2. Entre em modo 'download'


Pressione simultaneamente as teclas power, volume - e home com o aparelho ligado mesmo. Quando aparecer a tela de confirmação, solte as teclas e pressione somente volume + para entrar.

3. Instale os drivers USB Samsung


Instale os drivers USB da Samsung, disponíveis no pacote que você baixou. Ainda com o modo 'download' habilitado, conecte o tablet ao computador usando o cabo USB.

4. Execute o Odin


Agora, execute o Odin como administrador e selecione o arquivo T116BUUBU0ARE1_T116BUZTO0ARE1_T116BUUBU0ARE1_HOME.tar.md5 pelo botão AP, deixando somente a opção F. Reset Time marcada. Clique em Start para começar.

Se tudo correr bem, você verá a mensagem de retorno PASS!.

Agora, pelas configurações do tablet, execute a redefinição de fábrica e limpeza completa do tablet pra deixá-lo no estado de zero.



PA082 Universal analog preamplifier

Tem projeto que nasce com uma finalidade muito específica, funciona exatamente como deveria e, depois de algum tempo, começa a pedir algumas mudanças. Foi mais ou menos assim que aconteceu com o pré-amplificador baseado no TL082 que publiquei originalmente em2024.

Naquela época, a ideia era relativamente simples: construir um pré-amplificador analógico compacto, com resposta essencialmente flat para fontes de linha, controles independentes de nível e um VU meter analógico para acompanhar o sinal. No meio do desenvolvimento, o projeto acabou crescendo e recebeu também uma entrada PHONO com estágio transistorizado e, posteriormente, algumas revisões no circuito do VU meter. O resultado funcionava bem e cumpria exatamente aquilo que eu precisava naquele momento. Mas meus projetos de áudio têm uma característica curiosa: depois que você monta, usa e começa a observar o comportamento do equipamento no mundo real, aparecem coisas que não eram tão evidentes durante o desenvolvimento. E foi justamente dessa experiência que nasceu o PA082 Universal analog preamplifier.

O PA082 não é apenas uma pequena revisão daquele pré-amplificador original. A versão 1.1 representa uma mudança de direção no projeto, mantendo aquilo que realmente fazia sentido - o TL082, a simplicidade do circuito e a proposta de um pré-amplificador analógico - enquanto praticamente todo o restante da arquitetura foi repensado. Outra mudança importante foi a inclusão do controle de BALANCE. No projeto original, o ajuste de nível era realizado individualmente nos canais. Na nova arquitetura, o PA082 utiliza um potenciômetro duplo para o controle de LEVEL e acrescenta um controle dedicado de balanço entre os canais esquerdo e direito.

Principais recursos

  • Pré-amplificador estéreo para fontes LINE

  • Estágio principal baseado no TL082

  • Resposta essencialmente flat

  • Controle de LEVEL

  • Controle de BALANCE

  • VU meter analógico independente para L/R e com backlight interativo

  • Loop breaker e chave LIFT/GROUND

  • Fonte regulada +15 V / -15 V com larga filtragem

  • PCB completamente redesenhada em KiCad

  • Projeto desenvolvido com foco em simplicidade, manutenção e reprodução


A origem do PA082

O projeto original nasceu de uma necessidade bastante prática. Eu precisava de um pouco mais de nível de sinal para excitar adequadamente uma entrada auxiliar de um Sony FH-G33AV e, como já havia utilizado o TL082 em outros projetos, ele acabou sendo uma escolha natural. Naquele momento, a proposta era evitar componentes excessivamente sofisticados ou difíceis de encontrar, além de reaproveitar componentes novos que eu já tinha. Existem excelentes amplificadores operacionais clássicos para aplicações de áudio, mas a filosofia aqui sempre foi outra: utilizar componentes conhecidos, acessíveis e fáceis de substituir, sem transformar um circuito relativamente simples em algo desnecessariamente complexo.

O TL082 se encaixou muito bem nessa proposta. Seu duplo amplificador operacional com entradas J-FET permitiu construir um estágio de pré-amplificação simples, com boa resposta para a aplicação e, principalmente, tornando o projeto fácil de compreender e de reproduzir. A primeira versão acabou recebendo mais recursos durante o desenvolvimento, como a entrada PHONO, que foi adicionada para atender toca-discos que não possuíssem estágio de pré-amplificação, enquanto o VU meter surgiu como uma forma de acompanhar visualmente o nível aplicado ao circuito, evitando clips.

A principal mudança do PA082 está justamente naquilo que foi removido. A versão 1.1 abandona definitivamente a entrada PHONO e passa a ser um pré-amplificador exclusivamente para fontes LINE. Na prática, tornou o projeto mais coerente com a finalidade que ele acabou assumindo durante o tempo e torna a sua reprodução menos competitiva com pré-amplificadores dedicados RIAA e similares, que entregam resultados muito superiores. Ao eliminar o estágio PHONO, o circuito deixa de tentar atender duas aplicações completamente diferentes e passa a se concentrar naquilo que faz melhor: receber fontes de nível de linha, realizar o condicionamento e ajuste do sinal e entregar uma saída adequada para o estágio seguinte do sistema de áudio.

Fontes de sinal como CD players, DACs, tuners, streamers, computadores, interfaces de áudio, televisores e outros programas com saída de linha passam a fazer parte naturalmente do universo do PA082. A proposta continua sendo uma resposta essencialmente flat, não existe qualquer intenção de criar um pré-amplificador com controles de tonalidade ou uma cadeia complexa de tratamento, a ideia é muito mais simples: receber o sinal e preservá-lo de maneira coerente.

O TL082 continua sendo protagonista

Apesar de toda a reformulação do projeto, o coração do pré-amplificador continua sendo o TL082, e isso é proposital: não vejo muito sentido em substituir um componente que atende perfeitamente à proposta apenas porque existem alternativas mais modernas ou componentes considerados mais 'audiófilos'. O TL082 é conhecido, barato, muito eficiente e fácil de encontrar e possui características adequadas para projetos de áudio.

Mais importante do que procurar um componente perfeito é construir uma arquitetura eficaz, e o PA082 segue exatamente essa lógica. O circuito não tenta extrair do TL082 algo que ele não foi projetado para fazer, em vez disso, utiliza suas características dentro de uma aplicação simples, previsível. Essa talvez seja uma das principais diferenças entre desenvolver um circuito e simplesmente juntar componentes seguindo um esquema encontrado na internet.

Duplo VU com backlight interativo

Eu gosto de VUs analógicos. Sempre gostei. Eles não são instrumentos de alta precisão, mas criam a magia de observar fisicamente o comportamento do sinal enquanto a música está tocando. E uma das mudanças mais marcantes da versão está no sistema de iluminação dos VUs.

O backlight utiliza LEDs brancos para iluminar os instrumentos. Quando o circuito identifica a condição de peak level, essa iluminação muda de comportamento e os LEDs vermelhos assumem o destaque. Na prática, o próprio VU passa a funcionar como indicador visual de pico.

Durante a operação normal, os instrumentos permanecem iluminados de maneira convencional. Quando o sinal chega à condição de clip definida pelo circuito, a iluminação muda momentaneamente de cor, criando um indicador visual muito mais evidente. Além do efeito estético, existe uma função prática nisso. A calibração dos dois canais é realizada individualmente através dos trimpots TR1 e TR2, permitindo alinhar o final do curso de cada instrumento com a atuação dos respectivos LEDs de peak level.

Loop breaker

Em projetos de áudio, falar de qualidade de sinal sem falar de aterramento é praticamente impossível. Conectar vários equipamentos entre si através de cabos de sinal, alimentação e terra pode criar caminhos indesejados para correntes de retorno. Em determinadas configurações, isso aparece imediatamente na forma daquele velho e conhecido hum de 50/60 Hz.

A proposta não é interferir no caminho normal do sinal de áudio, mas controlar melhor a relação entre as diferentes referências de terra existentes no sistema. É uma solução particularmente interessante quando o pré-amplificador será utilizado conectado a outros equipamentos que possuem suas próprias referências de aterramento. O recurso complementa a chave LIFT/GROUND, que permite estabelecer ou interromper a conexão entre o terra externo e o ground do circuito conforme a configuração utilizada.

E aqui existe uma observação importante: o GND do circuito e o terra externo não devem ser tratados como se fossem simplesmente o mesmo ponto e o isolamento físico entre essas referências também precisa ser respeitado durante a montagem, inclusive na fixação dos conectores e demais componentes ao gabinete.

Fonte de alimentação reestruturada

A nova versão utiliza um transformador de 16 V + 16 V x 0,3 A para entregar tensões de +15 VDC e -15 VDC ao TL082, com larga filtragem e estabilização pelos reguladores LM7815 e LM7915. Essa arquitetura foi pensada para manter a mesma filosofia que orienta os demais projetos diyPowered: uma fonte simples, robusta, com filtragem generosa e sem complicações desnecessárias.

O objetivo é fornecer ao circuito uma alimentação estável e previsível, com componentes comuns e de manutenção simples sem perder a eficiência esperada para um projeto de áudio. Também foi adicionada uma alimentação auxiliar, identificada como +B, utilizada pelos circuitos associados ao sistema de VU meter.

Projeto KiCad completo e PCB inteligente

Talvez uma das mudanças menos perceptíveis para quem olha apenas o esquema elétrico seja justamente uma das mais importantes: a placa foi completamente refeita. O PA082 foi redesenhado em KiCad, com uma nova organização das áreas de alimentação, sinal, instrumentação e aterramento. Isso permitiu deixar para trás algumas limitações naturais da primeira placa e reorganizar o circuito pensando não apenas no funcionamento elétrico, mas também numa montagem guiada e prática. Em projetos de áudio, o layout da PCB não é simplesmente uma questão estética, mas uma necessidade real. A posição dos componentes e a setorização, a distribuição das trilhas de tensão e os caminhos de retorno, a separação entre alimentação e sinal e a maneira como os pontos de terra são organizados podem determinar o sucesso do projeto ou a perda de horas na bancada investigando um ruído que não deveria existir.

Apesar de todas essas melhorias, o PA082 continua sendo um projeto simples. O núcleo do pré-amplificador continua sendo um TL082 e boa parte da complexidade adicional está concentrada justamente nos recursos que fazem sentido, como alimentação, aterramento, controle de nível, balanço e monitoramento.

Baixe aqui os arquivos em PDF do esquema elétrico e da placa de circuito impresso:

PA082 Universal analog preamplifier - Esquema elétrico.pdf

Comprar placas, GERBER ou arquivos originais KiCad

https://diypowered.llucastoledo.com.br/p/onde-comprar-pa082-universal-analog.html 










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