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Planejamento e execução de projetos DIY 3

fonte: diyPowered
Depois de alguns anos desenvolvendo projetos DIY, é interessante perceber que muitas das dificuldades encontradas durante a construção de um equipamento não estão necessariamente relacionadas ao circuito eletrônico. É claro que escolher componentes, projetar uma fonte de alimentação, dimensionar dissipadores ou desenhar uma PCB são etapas importantes, mas existe uma parte menos evidente do processo que costuma aparecer somente depois de vários projetos concluídos: aprender a tomar boas decisões antes, durante e depois da construção.

Nos primeiros textos da série, falei principalmente sobre planejamento, organização, escolha de componentes, testes, layout, dissipação térmica e acabamento. São pontos fundamentais e continuam válidos, porém com o tempo, surgem outras questões que não aparecem quando estamos começando. Quanto um projeto realmente custa? Como lidar com componentes que deixam de existir? Como saber se uma nova função realmente vale a complexidade que acrescenta? Como documentar corretamente uma versão? E talvez a pergunta mais difícil: em que momento devemos considerar um projeto terminado?

Este terceiro artigo é justamente sobre essas questões.

Antes de começar, defina o que realmente precisa ser construído


Um dos maiores problemas em projetos DIY é começar pela solução antes de definir claramente o problema. Encontramos um circuito interessante, um componente novo ou uma ideia em algum fórum e imediatamente começamos a imaginar como incorporá-la ao próximo projeto. O resultado pode ser tecnicamente interessante, mas nem sempre será um equipamento melhor.

Antes de escolher componentes ou desenhar a primeira placa, vale definir exatamente o que o projeto precisa fazer. Um amplificador, por exemplo, pode precisar de determinada potência, duas entradas, controle de volume, proteção para os alto-falantes e uma fonte adequada. Isso já é um projeto suficientemente completo. Adicionar display, controle remoto, VU meter, Bluetooth, monitor de temperatura e outras funções pode ser interessante, mas cada recurso acrescenta componentes, conexões, espaço, possibilidades de falha e tempo de desenvolvimento. Por isso, uma pergunta simples costuma ser muito útil: o que este projeto não precisa fazer? Saber retirar funções é tão importante quanto saber adicioná-las. 

Um projeto bem planejado não é aquele que possui o maior número de recursos, mas aquele em que cada recurso existente tem uma razão para estar ali - pense como se está ali, é porque precisa estar ali.

O escopo precisa ter um limite


Projetos DIY são particularmente vulneráveis ao chamado escopo infinito. Durante o desenvolvimento sempre aparece uma nova ideia que parece simples de implementar. Depois outra. E mais uma. Quando percebemos, aquele pequeno projeto que deveria levar algumas semanas transformou-se em um equipamento completamente diferente da ideia original.

Isso não significa que devemos impedir mudanças, muito pelo contrário! Algumas das melhores soluções aparecem justamente durante a construção. O importante é reconhecer quando uma ideia representa uma mudança real de escopo. Adicionar uma proteção pode ser uma melhoria natural; acrescentar um sistema completo de controle remoto já é uma nova parte do projeto e precisa ser avaliado como tal. Essa percepção ajuda a preservar uma das coisas mais importantes em qualquer projeto: a capacidade de terminá-lo.

Divida o projeto em blocos


Outra mudança importante que acontece com a experiência é deixar de enxergar o equipamento como um único circuito. Um projeto eletrônico normalmente é formado por vários blocos independentes que precisam trabalhar juntos. Em um amplificador, por exemplo, podemos separar entrada, pré-amplificação, controle de volume, estágio de potência, fonte, proteção, interface e alimentação auxiliar... essa divisão facilita muito o desenvolvimento porque permite testar cada parte individualmente. Mais importante ainda, permite reutilizar aquilo que já foi desenvolvido. Uma fonte que funcionou muito bem em um projeto pode ser adaptada para outro, um circuito de proteção já testado não precisa ser reinventado. Um padrão de painel ou uma solução mecânica pode se transformar em uma referência para vários equipamentos futuros.

É nesse ponto que o DIY começa a deixar de ser uma coleção de projetos isolados. Aos poucos, criamos uma biblioteca própria de soluções, conhecimentos, circuitos, componentes e decisões que podem ser reaproveitados. O projeto seguinte não começa mais do zero.

Reutilizar também faz parte do desenvolvimento


Existe uma ideia interessante no universo maker de que um projeto precisa sempre apresentar alguma coisa completamente nova, mas na prática, isso não faz muito sentido. Se uma determinada solução foi desenvolvida, testada e documentada, reutilizá-la é uma demonstração de maturidade, não de falta de criatividade. Reutilizar um circuito significa que você já conhece suas limitações, que parte do risco do próximo projeto foi eliminada. Também significa que o tempo pode ser direcionado para aquilo que realmente é novo.

Isso vale para fontes de alimentação, circuitos de proteção, módulos de controle, padrões de PCB, sistemas de montagem, bibliotecas de componentes e até mesmo procedimentos de teste. Com o tempo, o maior patrimônio de quem desenvolve projetos DIY deixa de ser a quantidade de equipamentos construídos e passa a ser o conhecimento acumulado entre eles.

Componentes também precisam entrar no planejamento


Um projeto pode funcionar perfeitamente no papel e ainda assim ser uma escolha ruim para o futuro se depender de componentes difíceis de encontrar. Essa é uma preocupação que normalmente aparece tarde demais. Escolhemos um transistor, regulador ou circuito integrado porque suas características são excelentes, construímos a placa e, meses depois, descobrimos que o componente desapareceu do mercado ou passou a ser encontrado apenas em fornecedores de procedência duvidosa. Por isso, a disponibilidade dos componentes deve fazer parte da decisão de projeto. Não significa que devemos utilizar somente peças populares ou modernas, componentes antigos podem ser excelentes e muitas vezes são justamente parte da personalidade de um projeto. O importante é saber quando estamos criando uma dependência e, sempre que possível, explorar alternativas.

Também vale guardar alguns componentes críticos. O custo de comprar algumas unidades extras geralmente é muito menor do que o trabalho necessário para redesenhar uma placa porque determinado componente deixou de ser encontrado.

O custo real é maior do que a BOM


Outro aspecto que costuma ser subestimado é o custo. Uma lista de materiais pode mostrar que determinado circuito custará R$ 200, mas dificilmente esse será o custo real do projeto. Existe a PCB, o frete, o gabinete, conectores, fios, parafusos, dissipadores, ferramentas, materiais de teste e, principalmente, tudo aquilo que foi comprado durante o desenvolvimento e acabou não fazendo parte da versão final e... existe o tempo.

Não é necessário transformar um hobby em uma planilha financeira ou atribuir um valor ao prazer de construir alguma coisa, mas é importante reconhecer que um projeto de quarenta horas de desenvolvimento é diferente de outro que pode ser concluído em quatro horas. O objetivo do DIY não precisa ser produzir algo pelo menor custo possível. Muitas vezes estamos pagando justamente pela experiência de desenvolver e aprender : )

O importante é saber o que estamos comprando com esse investimento.

O protótipo tem liberdade para dar errado!


Uma das maiores vantagens de um protótipo é justamente permitir erros. Na bancada, podemos utilizar fios maiores, fontes externas, componentes provisórios, placas perfuradas e soluções que jamais fariam parte do equipamento definitivo. Essa etapa existe para responder uma pergunta simples: a ideia funciona? Porque o problema começa quando o protótipo passa a ser tratado como produto final.

Depois que o circuito está comprovado, começa (ou deveria começar!) uma segunda etapa. Precisamos descobrir se ele funciona de forma segura, estável e previsível durante longos períodos, verificar temperaturas, consumo, comportamento sob carga, proteção e montagem mecânica. Uma coisa é conseguir fazer um circuito funcionar durante dez minutos na bancada, outra é construir um equipamento que possa permanecer ligado durante horas sem problemas.

O protótipo deve ser um lugar seguro onde podemos errar e o (possível e viável) equipamento final deve ser o resultado de termos aprendido com isso.

Defina critérios para considerar o projeto pronto


Um dos problemas mais comuns em projetos pessoais é não existir um momento claro de encerramento, pois quase sempre encontramos algo que poderia ser melhorado. Um capacitor poderia ser trocado, o gabinete poderia ser diferente, o layout poderia ser mais compacto, o dissipador poderia ser maior ou uma função adicional poderia ser incluída. Se não estabelecermos algum tipo de limite, o projeto nunca termina. Por isso, é interessante definir previamente o conceito de 'pronto'. 

O projeto pode ser considerado concluído, por exemplo, quando todas as funções previstas estão funcionando, as tensões estão dentro dos limites, a temperatura foi avaliada, a proteção foi testada, o equipamento passou por um período de funcionamento contínuo, se toda a documentação foi atualizada. O que vier depois disso, seja melhoria ou correção, deverá gerar uma nova versão ou revisão.

Lembra que existe o tempo? Então, é sobre isso.

Versionar é preservar a história do projeto


Quem já desenvolveu vários projetos certamente conhece a sequência de arquivos chamados final, final2, final_novo, final_agora_vai e assim por diante. Esse método pode funcionar enquanto existe apenas uma placa sobre a bancada, mas rapidamente se torna um problema quando o projeto evolui. Adotar versões simples, como v1.0, v1.1 e v2.0, muda completamente essa organização. E claro que, tão importante quanto o número, é registrar o que mudou em cada versão. Por exemplo, uma pequena correção de layout pode ser uma revisão, já uma mudança significativa na arquitetura deve justificar uma nova versão principal.

A versão antiga não é necessariamente uma versão ruim, ela é parte da história do desenvolvimento.

Documente também o que deu errado


Existe uma tendência natural de mostrar apenas o resultado, o produto final, o que é bonito. A placa pronta, o gabinete acabado, a fotografia final e o projeto funcionando. Mas os problemas encontrados durante o desenvolvimento são justamente algumas das informações mais valiosas. Se uma determinada disposição de cabos provocou ruído, isso deve ser registrado; se um dissipador ficou pequeno, vale anotar. Uma fonte não suportou determinada condição de carga, a informação pode evitar que o mesmo erro seja repetido no futuro. Uma boa documentação não deve explicar apenas como reproduzir ou validar um projeto, mas também registrar aquilo que aprendemos durante o processo. Às vezes, saber o que não fazer é mais útil do que conhecer apenas a solução final!

Funcionou é uma informação importante, mas é uma informação limitada. Quanto consumiu? Qual foi a temperatura? Qual era a tensão de alimentação? Qual foi a tensão DC na saída? Qual carga foi utilizada? Quanto tempo permaneceu funcionando?

Quanto mais complexo for o projeto, mais importante é transformar observações em números. Não é necessário transformar cada montagem em um laboratório profissional, mas algumas medições simples podem mudar completamente a qualidade da documentação. Numa próxima versão desenvolvida, esses números passam a ser referências. E quando outra pessoa reproduzir o projeto, ela terá parâmetros para comparar seu próprio resultado.

A diferença entre parece funcionar e foi testado nestas condições é enorme.

Pense na manutenção antes de fechar o gabinete


Um equipamento DIY provavelmente será aberto novamente algum dia. Pode ser para uma manutenção, uma medição, uma atualização ou simplesmente porque surgiu uma dúvida depois de algum tempo.

É comum pensar primeiramente na eletrônica e somente depois definir onde e como tudo será montado. Essa abordagem funciona até certo ponto, mas pode criar problemas difíceis de resolver quando você precisar montar o projeto de forma definitiva. A placa precisa caber com perfeição e possuir fixação estrutural, os conectores precisam ficar acessíveis, o cabeamento precisa ter seu ponto de passagem, os dissipadores precisam ter espaço, o transformador precisa estar corretamente posicionado... e tudo precisa ser montável. Por isso, o projeto mecânico deve evoluir junto com o eletrônico. Não existe uma separação absoluta entre o circuito e o equipamento. A placa, o gabinete, a fonte, os cabos, os dissipadores e o painel fazem parte do mesmo corpo.

Por isso, vale lembrar durante a montagem que você terá de reparar aquele equipamento em algum momento no futuro. Será possível chegar à placa? Os conectores estarão identificados? Os cabos poderão ser removidos? Será possível medir as tensões sem desmontar tudo? Um componente poderá ser substituído sem desmontar metade do equipamento? Um projeto bem construído não é apenas aquele que funciona quando é novo, ele também deve ser pensado a longo prazo em todos os cenários.

Não tenha medo de abandonar uma solução


Depois de investir tempo e dinheiro em uma solução, existe uma tendência natural de tentar salvá-la a qualquer custo. Mas insistir em uma solução ruim apenas porque já investimos muito nela não recupera o investimento e menos ainda, o tempo. Geralmente, apenas aumenta o prejuízo. Uma placa que precisou ser refeita não representa necessariamente um fracasso, mas pode representar uma etapa necessária para entender o problema.  Um circuito descartado ensina algo que será utilizado no próximo projeto. 

É importante também entender que existem diferentes objetivos para um projeto DIY. Alguns são feitos para aprender, outros para experimentar uma ideia, outros para construir algo que será utilizado diariamente e outros, apenas para validar algo. Existem ainda projetos pensados para serem compartilhados e reproduzidos por outras pessoas e cada cenário exige um nível diferente de documentação, comunicação, detalhamento e conclusões. Por exemplo, uma montagem experimental pode ser perfeitamente válida mesmo que possua fios espalhados pela bancada e um equipamento de uso diário precisa ser mais robusto; um projeto publicado precisa ser compreensível, um projeto que pretende ser reproduzido por outras pessoas precisa oferecer arquivos, componentes, processos bem definidos e informações suficientes para que alguém consiga chegar a um resultado satisfatório.

Compartilhar muda a responsabilidade


Quando um projeto é publicado, ele deixa de ser apenas seu. Outra pessoa pode baixar os arquivos, fabricar uma placa, reproduzir aquilo que você construiu ou até modificar o propósito original. É nesse momento que pequenas omissões podem se tornar grandes desafios para quem olha de fora seu projeto.

Regule a fonte precisa ser explicado para qual valor, faça a calibração precisa explicar como. Use este componente precisa indicar exatamente qual componente e possíveis substitutos, de acordo com a realidade geográfica. Documentação não precisa ser complicada e cheia de detalhes inúteis, precisa ser suficientemente precisa. Um bom projeto publicado permite que outra pessoa compreenda não apenas o que foi construído, mas também as decisões que tornaram aquela construção possível.

Preserve os projetos antigos


Com o tempo, acumulamos arquivos, fotos, anotações, placas e versões que parecem não ter mais utilidade. É tentador apagar tudo e manter somente a versão mais recente, mas uma versão antiga pode ter uma solução que será útil anos depois, por isso, mantenha todos os registros do projeto desde seu início. Uma foto pode esclarecer uma montagem assim como um esquema elétrico anterior pode explicar uma decisão que deixou de ser aplicada na época e aquela placa de validação que seria descartada pode servir como referência para outro projeto, eliminando etapas por você já saber qual caminho seguir ou não, para obter determinado resultado.

Organizar e preservar esquemáticos, PCBs, Gerbers, listas de componentes, desenhos mecânicos, fotos, medições e documentos é preservar a possibilidade de compreender que, no final, o circuito pronto é apenas uma parte do resultado. Ficam também as decisões que funcionaram, os componentes que aprendemos a utilizar, os erros que não queremos repetir, as soluções que podem ser reutilizadas e, principalmente, o conhecimento adquirido durante todo o processo. É por isso que um projeto DIY não precisa ser perfeito para ser valioso, e tudo isso faz parte de uma experiência que se renova a cada ideia ou necessidade.

Não construa apenas o circuito, construa o projeto


Um circuito é apenas uma parte daquilo que estamos construindo. O projeto inclui a ideia, o escopo, a escolha dos componentes, os testes, a PCB, a fonte, o gabinete, a segurança, a documentação, a manutenção e todas as decisões tomadas ao longo do caminho. E existe ainda uma última parte, que talvez seja a mais importante: aquilo que aprendemos. Um bom projeto DIY não é necessariamente aquele que funciona perfeitamente na primeira tentativa, mas aquele que, quando termina, deixa você sabendo mais do que sabia antes. E isso torna possível começar o próximo projeto de uma maneira diferente.

Visualize o projeto antes de pensar em como começar qualquer coisa, valide cada processo, anote, mensure, refaça. E quando pensar que o projeto está bom o suficiente para colocar em produção, volte uma casa.

Desleixo, corte de custo ou tudo isso junto num projeto?!

Session.

Já declarei minha preferência pelos equipamentos SMS aqui antes e faz muito tempo que venho pensando em criar esse artigo sobre a TS Shara. Quem acompanha a trajetória do diyPowered já conhece bem as premissas e valores que sustentam essa ideia/movimento pró qualidade. E a TS Shara é uma das marcas em que eu não confiaria meus equipamentos. Uma pena, uma empresa nacional com 30 anos de história...

Já tive a oportunidade de trabalhar com alguns modelos de no-breaks e de estabilizadores de tensão da marca e em raras ocasiões pude me deparar com um equipamento projetado de forma eficiente, respeitando os componentes, pensando nas futuras manutenções que todo e qualquer equipamento de proteção deverá passar ainda. Repito: raros modelos em que eu já tive a oportunidade de trabalhar pude conferir qualidade e preocupação com um projeto bem executado.

Os gabinetes

Os metálicos, em especial, são frágeis, montados em chapas finas e costumam vir com pequenos amassados já de fábrica. Os parafusos dificilmente fixam corretamente a tampa e as coisas parecem que não foram feitas umas para as outras, deixando frestas e muitas vezes um aspecto relaxado que me deixa sempre bastante decepcionado.

Os gabinetes plásticos, em geral, possuem até boa concepção mas em alguns casos falham no quesito ventilação natural e fixação dos componentes: fiação encostando no transformador por exemplo, é pedir para ter problema. Em questão de design até que são atraentes, pena que internamente a atração para o técnico reparador seja repulsa.

Ativos

As placas possuem um tamanho bastante razoável, tornando os equipamentos compactos. Mas isso entra em conflito direto quando o assunto é manutenção. Vários componentes são em formato SMD, como resistores, capacitores e até o queridinho LM324: tudo SMD. Gosto de SMD mas em circuitos que não vão demandar uma manutenção futura grande. Daí você tem uma PCI frágil, trilhas estreitas, componentes SMD próximos demais e pontos de aquecimento tão mal dimensionados que a placa chega a ficar toda marcada. E alguns componentes esquentam muito mesmo... Tem uma autorizada aqui na cidade que nem se dá ao trabalho de reparar, já orça placa nova. Isso também vale para alguns modelos da NHS - outra nacional com décadas de história - que tive por várias ocasiões em bancada, que também vêm cheios de SMD e você se obriga a trocar a placa inteira para evitar o risco e o trabalho chato que é mexer em SMD. Mas diferentemente da TS Shara, os equipamentos da NHS seguem um certo protocolo de produção que, embora cometam os mesmos erros na concepção desenfreada por SMD, ainda conseguem se distanciar da TS Shara em qualidade. Fora que os NHS raramente dão problema. Mas fica pra um outro post a NHS.

Situação difícil de entender (ou pegadinha do projetista)

Dia desses veio para minha bancada um TS Shara UPS Mini 600 Bivolt Black com um defeito comum: desliga as saídas ao faltar energia elétrica. Para os mais experientes é uma barbada. Mas nunca é uma barbada quando se trata de um TS Shara! Fiz a troca do relé de saída, que realmente estava com os contatos ruins, mas ao testar o no-break ele ainda apresentava o mesmo problema. Testei TUDO EXAUSTIVAMENTE por horas e o problema persistia. Chamei o Vinícius (voa.aquino@msn.com - quem fez as melhores fotos desse post!) pra dar uma olhada junto comigo porque naquela tarde eu já havia enfrentado emoções fortes com um cliente folgado em atendimento de campo. Depois de uns dez minutos pensando coletivamente, chegamos a uma conclusão que nos deixou com cara de idiotas: alguém na TS Shara achou cool colocar seis tomadas num nobreak de 600VA com uma bateria de 2A, mas achou coolest destinar 3 dessas tomadas apenas como tomadas protegidas. Ou seja, enquanto eu continha uma vontade imensurável de atirar aquele embuste comercial na parede também tentava entender o que levou essa gente a fazer essa cagada. Imagina o usuário final ligando seu computador ali nas tais tomadas protegidas e quando falta energia elétrica, ele perdendo todo seu trabalho... e ainda vai ligar na loja que vendeu pra ele puto da cara. Até que eles possuem um álibi: uma etiqueta muito da mal feita ali atrás, só pra dizer que não avisaram... que vergonha. É algo comum em alguns modelos a distinção de tomadas UPS e tomadas estabilizadas, claro que é. Mas o correto é que o fabricante deixe isso explícito no equipamento. No mais, explanada minha repulsa às cagadas comerciais dessa marca em questão, quando você quiser saber mais sobre algum equipamento, consulte um técnico e não acredite em vendedores. Eles só vendem. Eu só venderia algo que eu comprasse.

Então, quando for comprar no-break e o vendedor lhe oferecer esse embuste aí, dê uma risadinha de canto e pergunte se tem outra marca. De preferência SMS Legrand, que dificilmente dá problema. E quando um SMS dá problema, é fácil reparar e é mais fácil ainda conseguir peças pra ele.

Me lembrei agora de um outro caso curioso com a marca: um modelo diferente desse não trazia identificação correta da tensão de saída: foi impresso 115V/220V sendo igual para a entrada. Erro de digitação?! Ao ligar na tomada pra testar, a saída dele era 220V quando deveria ser 115V. Esse no-break era novo, acabava de chegar da fábrica e iria para uma cliente. Identifiquei as saídas pra evitar problemas...

Importante lembrar que...

Só pra constar, a ideia aqui é mostrar fatos e não denegrir a imagem ou a história da marca TS Shara, que passa dos 30 anos de história e é nacional. Valorizo muito o trabalho, a tecnologia e a produção do nosso país, mas sou exigente nisso porque lá fora, se um engenheiro ou técnico reparador visse esse nível de projeto, certamente teríamos mais posts como este. Aqui, trata-se de um artigo CONSTRUTIVO para fins de melhorias em processos e projetos. 

Uma grande fonte de informação sobre como anda a qualidade dos projetos - e isso vale para qualquer segmento fabril - pode estar justamente lá na outra ponta: o técnico reparador. Esse carinha tem muita informação e acesso a praticamente todas as marcas do mercado. Passem a consultar o técnico reparador que, sem sombra de dúvidas, seus processos serão aprimorados

E sobre a SMS Legrand, não tenho qualquer vínculo com a empresa e este não foi um post patrocinado.


Detalhe de carga na bateria

Bateria muito próxima ao transformador que é muito
próximo da placa que fica colado na fiação


Frontal da carcaça

Aqui, o embuste: três tomadas UPS e três 'protegidas'

Muito SMD...

Detalhe da face cobreada da placa

Etiqueta de identificação do produto


Fonte (PSU) ATX HIPRO HP-D2537F3R

Session.

Essa aqui é para registrar minha adoração por bons projetos. Essa fonte é de um cliente que veio para manutenção (não na fonte) e como sou chato, sempre abro a fonte para verificar possíveis capacitores estufados e também para limpar o cooler. Às vezes troco o cooler, quando realmente não tem mais jeito. E vendo essa fonte por dentro, não resisti e tirei algumas fotos pro site. 

Pesquisei bastante mas não encontrei nenhum site que falasse da fonte, somente e-commerce em geral e Mercado Livre. Não vou me aprofundar nem analisar tecnicamente o projeto dos caras, mas olhando de perto é inquestionável o cuidado, a disposição das peças, o filtro AC na entrada, os triplos acopladores ópticos, os capacitores escolhidos (sim, se você não sabia dessa, até capacitores possuem datasheet e aplicações específicas para cada situação) e a própria carcaça, resistente e bem montada. Não há dúvidas do quesito qualidade da montagem.

Também vale ressaltar o tamanho dos dissipadores, o trato na escolha dos transistores (parrudos) e no geral, achei um excelente projeto. Esse cliente liga a máquina DIRETO NO 220V há muitos meses, e nunca teve problemas com essa fonte. Nas poucas referências que encontrei, a HIPRO é reposição para desktops HP. Ou seja, confirmada a informação, se a HP usa não pode ser um projeto low cost, concorda?!







Polimento de farol Chery QQ3 1.1 16V 2012 - como polir em casa

O tempo é o dono deste humilde e simplório site. Quando o diyPowered foi criado - lá em 2012! - a ideia era apenas e tão somente registrar meus projetos para mim mesmo. Depois, passei a escrever artigos sobre DIY, como iniciar um projeto, planejamento... ainda iniciei artigos com dicas de reparo, criei o Drive para compartilhar materiais de difícil acesso e até alguns projetos foram disponibilizados para quem quisesse produzir em casa - como o pisca alerta para moto, que até hoje tem downloads astronômicos.

De alguns meses para cá, passei a falar sobre o sapinho da Chery, o QQ. Chamo o meu de sapinho porque além de todas as características, ele ainda é verde. É um carro que me desperta muita curiosidade, e como entusiasta automobilístico não-boçal e não-clubinho, venho eu mesmo realizando várias manutenções em casa. Algumas, apenas estéticas - como as luzes dos controles dos vidros que ficam nas portas e não possuem os LEDs de fábrica. Hoje quero compartilhar um achado muito simples e funcional para quem tem farol 'de plástico' que já está embaçado ou amarelado pelo tempo. Lembrando que farol em perfeito estado de funcionamento (não basta acender, tem que iluminar!) é item de segurança obrigatório previsto em lei. E para os fora da lei, digamos que é importante para a sua condução em segurança, mané.

O produto é o Limpa Farol da PROAUTO, vem numa bisnaga de fácil aplicação e o resultado é excelente. Comprei para testar, sem acreditar muito que fosse dar um resultado bom. Mas como o farol estava muito opaco, qualquer melhoria seria bem-vinda. Apliquei conforme manda o fabricante, esperei os dez minutos e fui polir. Meu polimento foi à mão mesmo, sem ferramentas, com muita paciência e força.

A primeira aplicação deu muita diferença. Mas como sou xarope, lavei os faróis, aguardei secar naturalmente e reapliquei o produto em seguida. O resultado final foi surpreendente, realmente o farol ficou claro. O feixe do bloco ficou exatamente como deveria ser.

Não é jabá. Só quero compartilhar essa solução fácil com quem não quer gastar muito para ter um resultado bacana em casa mesmo. E antes que digam, não: a opacidade do farol não voltou após uns dias. Faz mais de dois meses que apliquei o produto e o farol ainda é o mesmo. Sobrou bastante produto ainda no frasco, caso seja necessário reaplicar. Sai mais barato do que fazer nessas botiques automotivas e mais barato ainda do que trocar os dois blocos ópticos.


Antes da aplicação

Detalhe do farol após a aplicação

Uma observação aqui: o carro já veio com essas lâmpadas brancas horríveis que pretendo trocar tão logo. Detesto farol branco, a menos que seja de fábrica. Quem é motorista raiz sabe que a visão humana interpreta e identifica de forma mais inteligente objetos refletidos por luzes amareladas quando comparado às luzes brancas. Ou você acha que as rodovias são iluminadas com lâmpadas amarelas à toa?!

Autotrafo XEROX 105S70309 REV C 2KVA

De todas as pérolas que encontro nos anúncios da OLX, muitas vezes encontro coisa boa que é tratada como sucata. Esse trafo é um monstrengo, bizarro. Tem ajuste fino da tensão de entrada (tem foto lá embaixo) pra compensar a saída de acordo com o equipamento que será alimentado e fiação robusta para até 20A. Coisa feita direito, sem economizar mesmo.

Tem até um disjuntor pra proteção individual. Pesei ele numa balança de uso não comercial (dessas domésticas de pesar pessoas) e o carinha tem quase 30kg. O gabinete tem chapas grossas e ajuda bastante a aumentar esse peso final, mas o mais bonito mesmo fica lá dentro: o trafo é mesmo uma bizarrice de grande.

Foi só dar um talento nele, deixar limpinho e usar. Lembrando que tenho ferramentas que vieram do Sudeste, que são 127V, e esse cara aí vai substituir meu antigo trafinho de 1000VA com uma margem de segurança muito grande.










Fonte ATX Aerocool VX-350 - uma furada ou uma boa opção low cost?!

Session.

Sabe que eu adoro abrir tudo o que é eletrônico pra dar uma espiada, né. Por curiosidade, por conhecimento, para sacanear os 'engenheiros modernos'... Ou seja, gosto e faço e ponto. E em defesa dos bons engenheiros, lhes digo: muitas vezes vocês reclamam da faixa de custo para os projetos serem curtas, e por essa razão se obrigam a focar em tudo o que for low cost. E eu torno a dizer a vocês que isso não é justificativa para projetar lixo: há muitas formas de produzir em larga escala com qualidade mesmo com uma faixa de custo baixa. Basta saber o que fazer, pensar fora da caixinha e deixar de lado um pouco a soberba do diplominha.

Mas vamos voltar ao foco.

Essa fonte da Aerocool tem sido vendida na faixa dos R$ 90 aos R$ 150 podendo chegar a mais nessas lojinhas de cidade. Desde que conheço a marca, tenho tido acesso aos produtos para conhecer melhor e poder avaliar se o low cost deles vale a pena. E se você veio aqui atrás de informações para nerds como testes de força, números, nutellinhas com laboratórios pagos pelos pais ricos ou patrocinadores non sense, pode parar por aqui porque não vai rolar. Minha opinião não é baseada em nutellês.

Já tive em mãos diversos produtos Aerocool, de gabinetes desktop até coolers, passando por fontes e outras tranqueiras. O que vi até hoje foram low cost muito surpreendentes. E não estou ganhando coisa alguma para dizer isso, até porque quem conhece o diyPowered sabe que aqui não entra jabá e se tiver que entrar, vai ter que passar no teste de qualidade! Essa fonte veio numa barbada pela OLX, onde um cara comprou um gabinete que veio com ela. Ele tirou essa fonte NOVINHA e colocou uma que ele já tinha, uma Corsair 600W. Ficou guardada por algumas semanas quando ele decidiu desapegar e anunciou a R$ 50. Sim, por R$ 50. Menos do que uma fonte das mais comuns que fornecem (ou dizem fornecer) 200W cheio de zumbidos e traquinagens da rede elétrica. Como meu PC véio de guerra usa uma dessas fontes meia boca - tem ela aqui pra você ver, ó - fico receoso de pendurar mais discos nela e e ela não dar conta do recado (acontece muito quando você tem discos de grande capacidade, onde essa fonte pelada não suporta a corrente de pico de partida dos motores e o disco nem chega a ser reconhecido, dando um puta pânico em ter perdido os dados). Daí, achei por bem entrar com uma verbinha pra trocar antes que eu me irrite ou que precise mesmo de mais carga na máquina e fique na mão.

Vou resumir: é uma fonte com a mesma arquitetura das irmãs menores, sem frescuras, com partida simples, sem PFC, sem coisa alguma mesmo. É uma opção para quem quer mais capacidade mas não precisa de selos comerciais de eficiência, de cabos modulares ou ainda para quem não vai gastar milhares de dinheiros pra ter em casa uma caixa de metal cheia de luzes para brincar de gamer. Obviamente que eu não pagaria por uma fonte superior só para poder ter mais eficiência ou para ter mais dois ou três discos na máquina. É uma máquina de trabalho, não é para postar as specs na Internet pra competir com o coleguinha. É o velho ditado: se me atende, é o que importa. Salvo exceções que nem vou me dar ao trabalho de explicar nessa!

Comparando com a minha fonte anterior desse mesmo PC véio de guerra, ganhei em capacidade, fluxo de ar (cooler 120mm x 120mm em posição inferior é extremamente eficiente) e silêncio. Porque poucas coisas conseguem incomodar mais do que barulho de cooler. Pelo menos a Aerocool não poupou nos malditos capacitores da saída e, apesar de serem poucos, mandou soldar com as especificações corretas para chaveadas. Sim, se você não sabia que capacitores também possuem datasheet, aqui entra a parte onde você fica com uma novidade! Uma coisa ruim é que só vem com aquele conector PCI Express bipartido, onde é possível usar como +12Vcc AUX. Mas se você precisar tanto de um como de outro, vai precisar de um adaptador! Que chinelagem!

Para finalizar, as tensões mais comuns estão corretíssimas com a exceção da -12Vcc, que só vi fechar bonito até hoje em fonte de renome. Também tem a ponte de diodos parrudinha na entrada pra não dar gargalo, capacitores de respeito e cabeamento longo e de bitola expressiva para uma low cost. É uma fonte simples e robusta, fácil de dar manutenção e sem frescura. Vale o preço de mercado, tem bom acabamento e possui mais trato que as comuns.

Ah, agora as fotos estão melhores e serão postadas nuas e cruas.





















Vlog - LED sinalizador para alarme, opinião Stetsom Moto Triplo I e domínio diyPowered

Em novembro de 2018 a minha Ténéré completa seu primeiro ano de vida e com ela, também um ano de uso do alarme da Stetsom. É bom? Funciona mesmo? Como não havia instalado essa central full ainda, por conta da garantia de fábrica da moto, registrei algumas fotos da instalação final de todos os sensores do módulo e registro a minha opinião a respeito do produto.

Não necessariamente nessa ordem, também falo sobre o circuito base do sinalizador de alarme para casas ou veículos que servirá de estímulo para novos projetos de segurança e sobre o domínio do site, que passa por alguns inconvenientes.




Sirene (com fita isolante para abafar o disparo
enquanto testava) e fio cinza da partida pelo controle **
** a saída de disparo para partida da moto é positivo, e como vi por aí as Yamaha (não necessariamente via de regra) requer pulso negativo para isso. Como não tinha um relé auxiliar para fazer a instalação, deixei em off por enquanto

Esse é o fio do sensor de ponto morto (N)


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